sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Grêmio 0x2 Goiás (Copa Sul-americana 2010, 1.ª fase, jogo de volta, 12.08.2010, 19h30min)

Após a liberação de Meira e Silas, o presidente gremista tratou de procurar substitutos e já na segunda-feira confirmou Alberto Guerra para tratar dos assuntos do futebol e, na terça-feira, acertou o retorno de Renato Portaluppi para treinar o Grêmio. O lendário camisa 7 gremista sempre manifestou o sonho de treinar o clube que o projetou e com o qual alcançou seus maiores títulos; Renato andava treinando o Bahia, na série B do Brasileirão 2010, com campanha sem muita expressão, como foram as suas campanhas a partir do vice-campeonato da Libertadores 2008 com o Fluminense (perdeu um título ganho para a LDU, após desclassificar o Boca Juniors nas semifinais). Naquele ano deixou o Fluminense na zona do rebaixamento do Brasileirão 2008, e rebaixou o Vasco da Gama no Brasileirão 2009. Por isso se dizia que ainda não era o momento do Renato treinar o Grêmio. Mas parece que o momento é esse: trazer um cara identificado com o clube, vencedor, e com possibilidade de motivar e dominar o vestiário. Antes da sua chegada efetiva, na quinta-feira, dia de jogo contra o Goiás, pela 1.ª fase da Copa Sul-americana 2010, a direção gremista dispensou o zagueiro Rodrigo, em relação ao qual se imputam atos de indisciplina (diz-se que o cara jogou longe um copo de suco no refeitório, em véspera de jogo, pois estava inconformado com a indisponibilidade de refrigerantes).

Por telefone e com o auxiliar técnico Andrei, Renato escalou o time com apenas um atacante, num esquema 4-2-3-1. O Goiás também frequenta a zona do rebaixamento no Brasileirão 2010, tanto é que o jogo de ida, ainda com Silas, na semana passada, foi 1x1, no Serra Dourada (onde o Grêmio é geralmente goleado pelo time da casa), tendo saído na frente e sofrido o gol de empate num pênalti cometido por Fábio Santos.

O jogo estava marcado para 19h30min da quinta-feira, então peguei um baita trânsito; chegamos com atraso de 20min e o Goiás já havia saído na frente. Os minutos restantes até o intervalo foram de um futebol sofrível. Na volta do invervalo, Renato mostrou poder de motivação pois o Grêmio foi só ataque na etapa final. Só que faltou qualidade, mais uma vez. Renato não perdeu tempo e foi promovendo as retiradas de Maylson, Douglas e Souza para a entrada de Hugo, André Lima (esse sim deveria ter entrado há mais tempo, para fazer companhia a Jonas no ataque) e Róberson. Acredito que Renato não vai mais repetir isso pois retirou do time todos os caras que tinham capacidade para conduzir a bola no meio-campo. Sem os três, a passagem da defesa para o ataque se resumiram a lotéricos chutões do Marcelo Grohe para frente. E aí não havia mesmo como reagir.

Convém enfatizar que o árbitro, que não costuma ter boas atuações em partidas gremistas (posso estar enganado, alguém pode informar alguma partida em que ele teve boa atuação), anulou um gol legítimo do Grêmio. A situação foi inusitada pois o árbitro assistente correu em direção ao meio-campo, e todos sabemos (ensina-nos o Arnaldo) que quando o assistente corre em direção ao meio-campo é porque foi gol, mas o árbitro ficou na dúvida, correu em direção ao assistente, bateu um papo e resolveram anular um gol legítimo do Grêmio. É a tal da história: quando a fase é ruim até gol legítimo é anulado. E é evidente que um gol do Grêmio, como havia sido, lá pelos 25/30min do segundo tempo, modificariam completamente o jogo: o Grêmio sairia em busca do segundo gol, e no mínimo a partida iria para a disputa de pênaltis. Mas aí, com o gol e a reação anulada, o Grêmio tomou o segundo gol num contraataque do Goiás, aos 44min.

No próximo domingo, o Grêmio pega novamente o Goiás no Estádio Olímpico, desta vez pelo Brasileirão 2010.

Grêmio: Marcelo Grohe; Edilson, Rafael Marques, Neuton e Fábio Santos; Ferdinando, William Magrão, Maylson (Hugo), Douglas (André Lima) e Souza (Róberson); Jonas. Técnico: Renato Portaluppi.

Goiás: Harlei; Weldell Santos, Ernando, Rafael Toloi e Junior (Marcão); Amaral, Jonílson, W. Monteiro e Bernardo, Everton Santos e Rafael Moura. Técnico: Leão

Árbitro: Paulo César Oliveira, Ednilson Corona e Emerson Augusto de Carvalho. Cartões Amarelos: Willian Magrão, Neuton e Edilson (Grêmio); Rafael Moura e Wendel Santos (Goiás).

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Grêmio 1x2 Fluminense (Brasileirão 2010, 13.ª rodada, Estádio Olímpico, 08.08.2010, 16h)

Grêmio 1x2 Fluminense (Brasileirão 2010, 13.ª rodada, 08.08.2010)

Até o recesso da Copa do Mundo 2010 na África do Sul (que culminou, para o Brasil, com derrota para a Holanda nas quartas-de-final), o Grêmio de Silas era um dos principais times do Brasil, sobretudo pela campanha na Copa do Brasil 2010 e os enfrentamentos emocionantes com o Santos de Robinho, Ganso e Neymar. Durante a Copa a direção de futebol decidiu fazer uma intertemporada em Florianópolis e disputar um torneio (Copa da Hora) com Avaí e Vasco. Essa foi uma das muitas insatisfações experimentadas pelos jogadores gremistas. Desde então apareceram problemas extracampo, nenhum dos quais administrado adequadamente pelos dirigentes de futebol (incluída comissão técnica). Silas declarou que Mário Fernandes não era mais titular da zaga (apesar de algumas boas atuações - descontadas algumas entregadas e falhas de marcação) e que disputava lugar na lateral-direita. Mário revelou que ficou sabendo disso pela imprensa, e só por aí já se via que as coisas não andavam bem no vestiário. Além disso, Douglas reclamou que, na sua posição, não deveria marcar, no que foi contrariado em público por Silas. O ataque de Jonas e Borges, que continuou fazendo gols, começou a culpar a defesa pelos gols sofridos e pelas vitórias desperdiçadas. Por fim, e mais recentemente, Souza, que sempre reclama de alguma coisa (como Hugo), disse que estava pronto para retornar gradualmente, mas que devia ser escalado logo, pois não adiantaria colocá-lo somente nos jogos decisivos como se fosse salvador da pátria, que ele acha que não é (e todos concordamos). Vestiário dividido, questinou-se bastante o trabalho de Silas e de Meira. As vozes pedindo suas "liberações" cresceram e após oito jogos oficiais sem vitória, na zona do rebaixamento do Brasileirão 2010, e com a derrota em casa para o líder Fluminense de Muricy Ramalho, Duda Kroeff decidiu, de fato, pela liberação dos dois.

O jogo contra o Fluminense foi retrato da desanimação do elenco no primeiro tempo. Com vários desfalques, o time de Silas até encontrou espaços na defesa do time de Muricy, mas faltou qualidade nas conclusões. A tarefa ficou muito fácil para os visitantes quando, numa cobrança de falta de fora da área, a "barreira" gremista desviou o chute para dentro do gol de Marcelo Grohe (Victor foi cedido para a Seleção Brasileira de Mano Menezes, que joga contra os EUA na semana seguinte). O lance seguinte foi um ataque gremista, no qual se perdeu a chance de empatar a partida. E aí quem-não-faz-leva outro: bola perdida no meio-campo, chutão da defesa do Flu para frente, e veio o segundo gol, num contraataque mortal. As coisas poderiam ter ficado muito feias, mas o time de Muricy não fez mais gols. O Grêmio, nas suas limitações, conseguiu atacar. Adílson foi pura raça no meio, e Roberson se movimentou bastante. As jogadas, no entanto, não fluiam: o último passe era sempre errado, ou então a conclusão ia para fora. No final do 1.º tempo, Fernando Henrique salvou um gol que seria da reação gremista.

Na saída para o intervalo, Douglas foi o mais assediado pois recebera vaias durante o jogo inteiro. O camisa 10 reclamou que na sua posição não deveria marcar ninguém, mas que estava sobrecarregado marcando dois volantes adversários. Tornaram-se comuns, pois, essas reclamações públicas sobre questões outrora interna corporis. Para o 2.º tempo, o incansável Adílson foi substituído por Souza. Só que o camisa 17 estava realmente fora de forma, e não conseguiu armar ou concluir jogada alguma. Inobstante, o Grêmio foi todo ataque na etapa final, e os gols só não vieram pela falta de qualidade nas conclusões. André Lima errou um gol feito em momento que poderia ainda caber a busca pelo empate; o cara só foi acertar a rede ao final do jogo, fazendo o gol de honra.

Só havia uma coisa a ser feita e o presidente a fez: Silas e Meira deixaram seus cargos e a partir dali se faria a busca do novo técnico (na terça-feira seguinte foi anunciado que Renato Portaluppi assumiria o comando do time já na partida contra o Goiás, quinta-feira, no Olímpico, pela Copa Sulamericana 2010).

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Rafael Marques, Rodrigo e William Magrão; Maylson, Ferdinando, Adilson (Souza, intervalo), Douglas e Fábio Santos; André Lima e Roberson.Técnico: Silas.


FLUMINENSE: Fernando Henrique; Gum, Leandro Euzébio, André Luis, Mariano, Diguinho, Fernando Bob, Conca (Willians, 48'/2ºT) e Julio Cesar; Emerson (Rodriguinho, intervalo; Marquinho, 18'/2ºT) e Washington.Técnico: Muricy Ramalho.

Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (DF), Carlos Berkenbrock (Fifa-SC) e Marrubson Melo Freitas (DF). Cartões amarelos: Maylson, William Magrão (GRE); Fernando Bob, André Luis, Fernando Henrique (FLU)
Cartão vermelho: Fernando Bob, 17'/2ºT (FLU). Gols: Mariano e Emerson (F); André Lima (G).

domingo, 27 de junho de 2010

Copa do Mundo 2010 - Oitavas-de-final

Uruguai 2x1 Coreia - oitavas de final, 26/6/2010, 11h, Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth.

URUGUAI: Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín (Victorino) e Fucile; Pérez, Arévalo, Cavani e Forlán; Alvaro Pereira (Lodeiro) e Suárez (Ferrnández). Técnico: Oscar Tabárez.

COREIA DO SUL: Jung Sung Ryong; Cha Du Ri, Cho Yong Hyung, Lee Jung Soo e Lee Young Pyo; Ki Sung Yueng (Yeom Ki-Hun), Kim Jung Woo, Lee Chung Yong, Kim Jae Sung (Dong Cook) e Park Ji Sung; Park Chu Young. Técnico: Huh Jung Moo

Arbitragem: Wolfgang Stark, auxiliado por Mike Pickel e Jan-Hendrik Salver (trio da Alemanha). Gols: Suárez, aos oito do primeiro tempo e aos 35 do segundo tempo; Lee Chung Yong, aos 23 do segundo tempo. Cartões amarelos: Kim Jung Woo, Cha Du Ri e Cho Yong Hyung

EUA 2x1 Gana

ESTADOS UNIDOS 1 X 2 GANA Howard, Cherundolo, DeMerit, Bocanegra e Bornstein; Michael Bradley, Clark (Edu), Dempsey e Donovan; Altidore (Gomez) e Findley (Feilhaber). Kingson, Inkoom (Muntari), Pantsil, John Mensah, Jonathan Mensah e Sarpei (Addy); Annan e Kevin-Prince Boateng (Appiah); Kwadwo Asamoah, Ayew e Asamoah Gyan.
Técnico: Bob Bradley. Técnico: Milovan Rajevac.
Gols: Kevin-Prince Boateng, aos 5 minutos do primeiro tempo; Donovan, aos 17 minutos do segundo tempo; Gyan, aos 3 minutos do primeiro tempo da prorrogação.
Cartões amarelos: Clark, Cherundolo, Bocanegra (EUA), Ayew e Jonathan Mensah (GAN).
Estádio: Royal Bafokeng, Rustemburgo (AFS). Data: 26/06/2010. Árbitro: Viktor Kassai (HUN). Assistentes: Gabor Eros (HUN) e Tibor Vamos (HUN).



Alemanha 4x1 Inglaterra

Copa do Mundo 2010 - Oitavas de final
Gols: Klose, aos 20, Podolski, aos 32, e Upson, aos 37 minutos do primeiro tempo; Müller, aos 22 e aos 25 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Friedrich (ALE) e Johnson (ING).
Estádio: Free State, Bloemfontein (AFS). Data: 27/06/2010. Árbitro: Jorge Larrionda (URU), auxiliado por Pablo Fandino (URU) e Mauricio Espinosa (URU).
ALEMANHA (4) INGLATERRA (1)
Neuer, Lahm, Friedrich, Mertesacker e Boateng; Schweinsteiger, Khedira, Müller (Trochowski), Özil e Podolski (Gomez); Klose (Kiessling). James, Johnson (Wright-Phillips), Upson, Terry e Ashley Cole; Lampard, Barry, Milner (Joe Cole) e Gerrard; Defoe (Heskey) e Rooney.
Técnico: Joachim Löw Técnico: Fabio Capello




Argentina 2x0 México

ARGENTINA MÉXICO
Romero; Otamendi, Burdisso, Demichelis e Heinze; Mascherano, Maxi Rodríguez (Pastore), Messi e Di María (Jonas Gutierrez); Tevez (Verón) e Higuaín. Pérez; Juárez, Rodríguez, Osorio e Salcido; Torrado, Rafa Márquez, Guardado (Franco) e Giovanni dos Santos; Bautista (Barrera) e Hernández.
Técnico: Diego Maradona. Técnico: Javier Aguirre.
Argentina 3 x 1 México - Copa do Mundo
Dia: domingo, 27 de junho de 2010.
Local: Estádio Soccer City, em Johannesburgo (África do Sul).
Arbitragem: Roberto Rosetti, auxiliado por Paolo Calcagno e Stefano Ayroldi (trio italiano).
Gols: Tevez (A), aos 26min; e Higuaín (A), aos 33min, no 1º tempo. Tevez (A), aos 7min; e Hernández (M), aos 26min, no 2º tempo.
Cartão amarelo: Rafa Márquez (M).



Holanda 2x1 Eslováquia


HOLANDA (2) ESLOVÁQUIA (1)
Stekelenburg, Van der Wiel, Hitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel, De Jong e Sneijder; Kuyt, Van Persie (Huntelaar) e Robben (Elia). Mucha; Pekarik, Skrtel, Durica e Zabavnik (Jakubko): Kucka, Stoch, Weiss e Hamsik (Sapara); Jendrisek (Kopunek) e Vittek.
Técnico: Bert van Marwijk Técnico: Vladimir Weiss
Oitavas de final da Copa do Mundo, 28/06/2010.
Local: Estádio Moses Mabhida, Durban.
Árbitro: Alberto Undiano (ESP).
Assistentes: Fermin Martinez (ESP) e Juan Carlos Yuste Jimenez (ESP).
Gol: Robben, aos 17 minutos do primeiro tempo, Sneijder, aos 38 do segundo e Vittek, aos 47. Cartões amarelos: Robben, Stekelenburg (HOL), Kucka, Kopunek e Skrtel (ESL).




Brasil 3x0 Chile

BRASIL (3) CHILE (0)
Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luís Fabiano. Técnico: Dunga Bravo; Isla, Contreras, Jara e Carmona; Vidal, Millar e Matías Fernandéz; Beausejour, Sánchez e Suazo. Técnico: Marcelo Bielsa
Gols: Juan, aos 34, e Luis Fabiano, aos 37 minutos do primeiro tempo; Robinho, aos 14 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Kaká, Ramires (Brasil); Vidal, Fuentes, Millar (Chile).
Estádio: Ellis Park (em Joanesburgo). Data: 28/06/2010
Árbitro: Howard Webb (ING).
Assistentes: Darren Cann (ING) e Michael Mullarkey (ING).

Copa do Mundo 2010 - Brasil 0x0 Portugal (25.06.2010, 11h, Durban, Fase I, 3.ª rodada)

PORTUGAL (0) BRASIL (0)
Eduardo, Ricardo Costa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Fábio Coentrão; Pepe (Pedro Mendes), Duda (Simão), Tiago, Raul Meireles (M. Veloso) e Danny; Cristiano Ronaldo Julio César, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto SIlva, Felipe Melo (Josué), Daniel Alves e Julio Baptista (Ramires); Nilmar e Luis Fabiano (Grafite)
Técnico: Carlos Queiroz Técnico: Dunga

Estádio Moses Mabhida, em Durban. Arbitragem: Benito Archundia (MEX), auxiliado por Marvin Torrentera (MEX) e Hector Vergara (CAN). Cartões amarelos: Duda, Tiago, Pepe, Coentrão (Portugal); Luis Fabiano, Juan, Felipe Melo (Brasil)
Público: 62.712 pessoas

terça-feira, 22 de junho de 2010

Copa do Mundo 2010 - Brasil 3x1 Costa do Marfim (20.06.2010, Joanesburgo, jogo II, 1.ª fase)

Na segunda rodada da primeira fase quem se deu bem foi a Argentina, o Uruguai (encaminhou classificação aplicando 3x0 na anfitriã África do Sul, de Parreira), a Holanda (vitória magra sobre o Japão) e o Paraguai (vitória sobre Eslováquia encaminha classificação). Itália, com mais um empatezinho, Alemanha, com derrota surpreendente para a Sérvia, França, com derrota de 0x2 para o México, e Camarões, com derrota, de virada, de 1x2 para a Dinamarca, foram os destaques negativos. A França, particularmente, tem feito um papelão: Anelka foi cortado da delegação por ter ofendido o técnico Domenech; e o resto do time se recusou a treinar no dia seguinte. É evidente que o time francês vai embora mais cedo em 2010.

Eu, como tantos, esperava um jogo complicado do Brasil contra a Costa do Marfim. Afinal, passado o nervosismo da estreia, a segunda rodada é decisiva, sobretudo para o time liderado por Drogba que não havia passado de um empate sem gols contra Portugal. Só que o time de Dunga facilitou as coisas para si próprio e o Brasil jogou muito e ganhou por 3x1 num jogo duro. Luís Fabiano abriu o placar com um gol típico de artilheiro (fosse outro teria chutado a bola no goleiro). No segundo tempo, Luis Fabiano, em jogada individual e irregular (utilizou o braço para ajeitar a bola duas vezes, e ainda há quem diga que cometeu falta), ganhou de três defensores marfinenses e fez um golaço. Elano, antes de sofrer uma falta violenta e ser substituído, fez o seu segundo gol em Copas. Drogba aproveitou bobeira da defesa brasileira (Felipe Melo olhou para a bola e não acompanhou o atacante que vinha as suas costas) e fez o gol de honra. Os jogadores da Costa do Marfim não se preocuparam em jogar futebol tanto quanto deveriam e não mereceram maior sorte. Bateram nos jogadores brasileiros, que não pouparam protestos contra as faltas recebidas. O árbitro francês não coibiu a violência e ainda expulsou Kaká (o capitão brasileiro estava possuído e reclamando muito; num lance bizarro, um adversário esbarrou nele, caiu pretextando uma cotovelada ou algo do tipo, e provocou a expulsão de Kaká – 32 câmeras no estádio comprovaram que o brasileiro não fez nada, a não ser ter ficado de pé).

O jogo foi quente também depois do apito final: na entrevista coletiva, Dunga se envolveu em uma desinteligência com um jornalista, e não conteve xingamentos em voz baixa, captados pelos microfones. Particularmente, tenho achado muito divertido ver Dunga enfrentando dessa maneira os jornalistas, sem concessões e sem preocupação com boas opiniões a seu respeito. Dunga está dando uma de Jackass ou de Pânico (das antigas, quando diziam as coisas – muitas vezes indelicadas - na cara das pessoas). É evidente que Dunga não precisava criar e cultivar inimigos desse jeito – as coisas podiam ser feitas de maneira diferente e low profile -, mas enfim, todos conhecemos o Dunga e quem não gostar vai ter que engolir, como dizia o Zagallo (que disse “vocês vão ter que me engolir” e não lembro de ninguém dizendo o quanto ele era impróprio para o cargo que ocupava).

Próximo jogo, final pela primeira rodada: Portugal.

Brasil 3x1 Costa do Marfim: primeira fase da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul - Grupo G, 20/06/2010, Domingo, 15h30

Brasil: Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan, Michel Bastos, Felipe Melo, Elano (Daniel Alves), Gilberto Silva, Kaká, Luís Fabiano, Robinho (Ramires).

Costa do Marfim: Barry, Kolo Touré, Siaka Tiéné, Eboué (Romaric), Zokora, Tiote, Yaya Touré, Demel, Kalou (Keita), Drogba, Dindané (Gervinho)

Estádio: Soccer City em Joanesburgo
Árbitro: Stephane Lannoy (FRA)
Gols: Luis Fabiano aos 25 minutos do primeiro tempo, Luis Fabiano aos 5 minutos do segundo tempo, Elano aos 17 minutos do segundo tempo e Drogba aos 24 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos: Kaká, Tiéné, Tioté, Keita. Cartões vermelhos: Kaka.

Copa do Mundo 2010 - Brasil 2x1 Coreia do Norte (15.06.2010, Joanesburgo, jogo I, 1.ª fase)

Depois da desastrosa campanha na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, Dunga foi chamado para dirigir a Seleção Brasileira. De início, acreditava que o gaúcho faria uma espécie de mandato tampão, pois a época não era favorável e os candidatos eram escassos. No entanto, o cara se firmou, não sem dificuldades. Dunga se propôs a formar um grupo fechado com ele, e deu oportunidades para vários jogadores, novatos ou veteranos. Já é folclórica, nesse sentido, a aposta em Afonsão, que era o maior artilheiro na Europa, fazendo muitos gols pelo PSV Eindhoven. O cara não aprovou, assim como Vagner Love. Por outro lado, Dunga sempre botou fé em Robinho, e conseguiu firmar Luis Fabiano como centroavante goleador. A equipe que Dunga foi formando ao longo de quatro anos foi bastante criticada, mas o técnico sempre conseguiu resultados nas horas decisivas. Assim, apesar das desconfianças gerais (lembro bem de um notório narrador que lamentava o fato do Brasil não contar com seus maiores destaques, ao contrário da Argentina, que levava todos os seus medalhões), o time de Dunga venceu a Copa América de 2007. Em 2008, a Seleção não foi bem nas Olimpíadas em Pequim, e o ano foi salvo num amistoso contra a Itália. Essa partida (goleada e boa atuação contra os então campeões do mundo) me parece ter sido o ponto de partida para as bem-sucedidas campanhas na Copa América de 2009 e na Copa das Confederações de 2009. Sabe-se bem a bronca que Dunga "tem com" e "leva da" imprensa. Basta lembrar que a Seleção Brasileira de 1990 (treinada por Sebastião Lazaroni), que perdeu por 1x0 para a Argentina de Maradona e Canigia na Copa do Mundo na Itália, e se proclamou o fim da "era Dunga". Mais tarde, em 1994, o cara voltou como capitão da Seleção que ganhou o tetracampeonato. Formou-se, então, uma espécie de antipatia mútua, que só vem aumentando, sobretudo quando o futebol do time de Dunga é criticado, ao mesmo tempo em que consegue resultados expressivos.

A convocação para as Copas do Mundo sempre envolvem polêmica. Romário foi o centro das atenções na convocação para as Copas de 1994 (foi, e foi campeão), 1998 (não foi, machucado e tido como sem condições pela comissão médica) e 2002 (não foi, excluído por Felipão). Em 2006, Ronaldo já era chamado de gordo, mas o cara foi assim mesmo, virou o maior artilheiro da história das Copas, e foi isso. Desta feita, a imprensa do centro do país, que acabou acompanhada pela imprensa de outros estados, clamou pela convocação de dois jogadores que nos primeiros meses de 2010 apresentaram bom futebol: Neymar e Ganso, do Santos. Diz-se que o Santos joga futebol bonito, pra vencer, do tipo que toma gol mas faz muitos gols, e empilhou goleadas no Paulistão 2010. Ganhou, e ainda se deu bem na Copa do Brasil 2010, passando do Grêmio nas semifinais e se credenciando para a final (que se dará depois da Copa da África do Sul). Além deles, pleiteava-se a convocação de Ronaldinho Gaúcho, que tem atuações irregulares no Milan, mas é tido como o único capaz de desempenhar as funções de Kaká, sabendo-se que Kaká (e Luis Fabiano) vem de lesão e jogou pouco em 2010 (tanto Kaká como Luís Fabiano estão readquirindo forma física e técnica no decorrer da Copa). Dunga rejeitou todos eles, bem como Adriano (que se desconvocou por episódios extracampo – brigas públicas com noiva, fora de forma, jogando pouco futebol), e chamou apenas os jogadores que corresponderam do ponto de vista da hombridade exigida por Dunga.

O grupo do Brasil para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, no papel, é complicado; são adversários na primeira fase a desconhecida Coreia do Norte, a Costa do Marfim de Drogba e Portugal de Cristiano Ronaldo, Deco e Liédson.

Se na Copa de 2006 os treinos eram abertos e (para mim, ridiculamente) transmitidos pela TV, agora praticamente nada se viu e se vê que não seja o desempenho da Seleção nos jogos da Copa. Dunga promove treinos fechados e a imprensa vem caindo de pau em cima da pouca disposição do técnico para facilitar o trabalho da multidão de jornalistas de rádio, TV e jornal (e internet). É só ver que os jornalistas acabam entrevistando-se entre si, pois não conseguem “exclusivas” com os jogadores ou com o técnico.

Seja como for, diz-se que favoritas são as seguintes seleções: Brasil, Argentina, Espanha, Holanda e Inglaterra. França, Itália e Alemanha não estão com grande força, mas são campeãs mundiais e por pior que estejam sempre vão longe.

A estreia do Brasil na Copa de 2010 seria contra a Coreia do Norte, em relação a qual nada se sabe. Até então, França, Inglaterra e Itália decepcionaram com empates nos jogos da primeira rodada, e a Holanda apresentou pouco futebol para vencer a Dinamarca. A Alemanha, de quem eu esperava muito pouco, apresentou o melhor futebol e detonou a Austrália por 4x0 com grandes atuações de Özil, Podolski, Klose e Cacau (brasileiro naturalizado entrou na etapa complementar e na primeira vez que tocou na bola fez o quarto gol). No dia seguinte da estreia brasileira, a Espanha surpreendeu perdendo de 0x1 para a Suíça.

Geralmente se espera que jogos de estreia do Brasil em Copas sejam nervosos e com pouco futebol. Não foi diferente contra a Coreia do Norte. A superioridade técnica era inegável, mas os norte coreanos se fecharam e o Brasil teve dificuldades para criar jogadas de ataque. A vitória veio só no segundo tempo, com um golaço de Maicon (que se aproveitou da famigerada bola Jabulani para dar um efeito “espírita” e fazer um gol sem ângulo) e de Elano. Kaká e Luis Fabiano não jogaram bem, mas o mais importante é os caras readquirirem ritmo de jogo. Maicon mandou bem. Achei que Michel Bastos esteve nervoso e tenho dúvidas sobre sua titularidade. Robinho se destacou pelo notável e incansável interesse no jogo, um tipo de atuação que nunca tinha visto ele desempenhar.

Próxima partida: Costa do Marfim.

Brasil 2x1 Coréia do Norte: primeira fase da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul - Grupo G, 15/06/2010, Terça-feira, 15h30.

Brasil:Julio Cesar, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto SIlva, Felipe Melo (Ramires), Elano (Daniel Alves) e Kaká (Nilmar); Robinho e Luis Fabiano.

Coréia do Norte: Myonge Guk, Jong Hyok, Chol Jin, Jun Il, Nam Chol e Kwang Chon; In Guk (Kum Il), Yun Nam, Yong Jo e Yong Hak; Tae Se

Estádio: Ellis Park em Joanesburgo

Árbitro: Viktor Kassai (Hungria).

Gols: Maicon aos 10 minutos do segundo tempo, Elano aos 26 minutos do segundo tempo, e Yun Nam aos 43 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos: Ramires. Cartões vermelhos: Nenhum.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Grêmio 2x1 Atlético-MG (Brasileirão 2010, 6.ª rodada, Estádio Olímpico, 03.06.2010, 21h)

A derrota para o Corinthians, no Estádio Olímpico, pela 2.ª rodada do Brasileirão 2010 (estávamos lá) era menos importante do que o segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil 2010; afinal, era o jogo de volta do enfrentamento contra o Santos, e o Grêmio tinha chances de classificar-se pois vencera de forma heroica o primeiro jogo por 4x3. Na Vila Belmiro, em 19.05.2010, o Grêmio fez um excelente 1.º tempo, mantendo o empate sem gols. Mas o time estava desfalcado de Mário Fernandes e Rodrigo, e a zaga reserva não manteve o pique, além de que reconhecidamente alguns jogadores não voltaram "ligados" para a etapa complementar (Hugo e Douglas, por exemplo). Nessas condições, o Santos venceu com facilidade por 3x1 e despachou o time de Silas.

Só que o grupo "sentiu" a desclassificação e, ainda em São Paulo, para o jogo seguinte pela 3.ª rodada do Brasileirão 2010, tomou 4x2 do Palmeiras, no último jogo no Palestra Itália (será demolido para construção de uma arena), em 22.05.2010.

A 1.º vitória do Grêmio no Brasileirão 2010 veio apenas na 4.ª rodada, contra o Avaí, em 26.05.2010, no Olímpico. O jogo não foi bom, mas o resultado foi na medida: 3x0. Meus compromissos "acadêmicos" têm dificultado a ida ao Estádio. Mas consegui ouvir o final do jogo pela rádio e foi memorável ouvir, no final da partida, uma discussão acalorada (e constrangedora) entre um professoral comentarista e um grande repórter que fica no meio da torcida.

Em 29.05.2010 o Grêmio foi ao Maracanã enfrentar o Flamengo, sem Adriano, mas com Vágner Love e Petkovic (este com ânimo e contrato renovados). Geralmente o Grêmio se complica no Maracanã, e efetivamente tomou um banho de bola nos primeiros minutos de partida, inclusive tomando um gol logo de início. O preparo físico dos cariocas, no entanto, não é dos melhores, e Petkovic acabou cansando em seguida. Melhor para o Grêmio, que diferentemente do Brasileirão 2009, consegue jogar futebol, razoavelmente, mesmo no campo do adversário. Assim, o Grêmio chegou ao empate, mas poderia ter vencido pois teve ampla vantagem no 2.º tempo.

A campanha do Grêmio, até o momento, é pífia, e se aproxima o recesso da Copa do Mundo 2010. Impunha-se uma vitória no Olímpico, contra o Atlético-MG de Wanderley Luxemburgo, Ricardinho, Diego Tardelli e Muriqui. Notoriamente os times de Luxemburgo fracassam diante do Grêmio, então as chances de vitória eram muito boas. Só que o trio de destaques atleticanos incomodou a defesa gremista (ainda desfalcada de Mário Fernandes e de Neuton), obrigando Victor a realizar grandes defesas (é chato que agora o cara tem errado com certa frequencia, e nessa partida, se não comprometeu, por outro lado cometeu umas reposições de bola bizarras).

Com um jogo complicado, Hugo abriu o placar aparando de cabeça uma cobrança de escanteio de Fábio Rochemback.

1.º gol Hugo



O gol trouxe alívio, que durou até o final do primeiro tempo, quando o Atlético-MG conseguiu um gol através de um chute de fora da área que desviou na zaga gremista e surpreendeu Victor.

O time de Silas é o que mais erra passes no Brasileirão 2010, e muitos passes errados foram vistos. Maylson ganhou sua chance no time titular, e Rochenback definitivamente parece ter assumido a posição outrora de William Magrão. Adílson completou a sua centésima partida pelo Grêmio e sua titularidade é incontestável. Douglas, por sua vez, parece que virou reserva. William ganha chances pelo prestígio que tem com Silas, que o trouxe do Avaí. Só quem não joga é Mythiuê, inexplicavelmente.

O Grêmio fez o gol da vitória no mesmo esquema Rochemback-cruza-Hugo-marca-de-cabeça.

2.º gol Hugo



Resta agora o jogo contra o São Paulo, no domingo, antes da parada para assistirmos à Copa do Mundo 2010 na África do Sul.

GRÊMIO: Victor; Edilson, Ozeia, Rodrigo e Bruno Collaço; Adilson, Rochemback, Maylson e Hugo; Roberson (Bergson) e William (Fernando). Técnico: Silas.

ATLÉTICO-MG: Marcelo; Lima, Jairo Campos (Ricardo Bueno) e Werley; Diego Macedo, Rafael Jataí (Wendel), João Pedro, Ricardinho e Leandro (Junior); Muriqui e Diego Tardelli. Técnico: Wanderley Luxemburgo.

Arbitragem: Pericles Bassols Cortez (Fifa), auxiliado por Dibert Pedrosa Moises (Fifa) e Marco Aurélio Pessanha, trio do Rio de Janeiro. Gols: No primeiro tempo, Hugo (G), aos 37 minutos e Ricardinho (A), aos 44. No segundo, Hugo (G), aos 15.
Cartões amarelos: Leandro, Jairo Campos, João Pedro, Marcelo (A), William, Edilson, Hugo, Fábio Rochemback (G). Cartão vermelho: João Pedro (A). Renda: R$ 212.379,00.
Público: 14.605 (12.473 pagantes).

Grêmio 3x0 Sport (Série B, 31.ª rodada, Arena do Grêmio, 20.09.2022, 19:00)

 Com Renato de volta à casamata gremista, e após a vitória contra o Vasco, a expectativa era de como o Grêmio se portaria nos jogos fora de ...