sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Grêmio 1x2 Huachipato (Copa Libertadores 2013, fase de grupos, 1.ª partida, Arena, 14.02.2013, 19h45min)

Com a classificação assegurada para a fase de grupos da Libertadores 2013, o Grêmio foi às compras para reforçar o elenco. Em poucos dias vieram Adriano (volante do Santos), Welligton (atacante que veio da Rússia), André Santos (lateral esquerdo do Arsenal) e, principalmente, Barcos (atacante do Palmeiras). Este último foi jogada genial do Rui Costa e do Fábio Koff, pois envolveu uma parte de dinheiro para o Palmeiras, outra para o jogador (dívidas do Palmeiras) e outra para a LDU (dívida do Palmeiras), além do envio de jogadores como Vílson (em definitivo, já havia sido descartado pelo Luxemburgo), Leo Gago, Leandro e Rondinelly (os três por empréstimo). Um último jogador seria incluído no negócio: Marcelo Moreno. O atacante reportou que não teve ciência do negócio, mas que de qualquer forma não gostaria de sair. Então o cara ficou, e foi o melhor negócio imaginável: um atacante matador por quantias em dinheiro e quatro jogadores inexpressivos.

Luxemburgo fez mistério na escalação: Adriano ou Fernando como primeiro volante. Particularmente, achei que deveria começar com Fernando, e talvez entrar o Adriano no decorrer do jogo, pois do contrário haveria muitas estreias em todos os setores do time. De qualquer forma, no papel o time parecia imbatível.

Ninguém que eu conheço, e nem eu, nunca ouvimos falar do Huachipato. Foi o campeão chileno de 2012, mas não realiza boa campanha nessa temporada, e ainda não havia feito nenhum gol em 2013. O clube não tem tradição em competições internacionais, e o jogador de maior destaque, Braian Rodriguez, tem salário baixo para os atuais padrões do futebol brasileiro (jogaria num time do Gauchão por esse salário).

A vitória do Grêmio se impunha nessas condições.

Chegamos à Arena com boa antecedência. Nem tinha muito movimento de carros ainda na rua de acesso, e bem poderíamos ter estacionado por ali mesmo, pagando 20 pila para um flanelinha. Optamos por um estacionamento que vimos no caminho, o que tem uma torre "Chies", mas ficamos com uma vaga enfiada. Apesar de ser mais perto da Arena, previ que haveria tranqueira na saída.

Se no jogo contra a LDU ficamos embaixo da cabine do SporTV, na qual estava o Milton Leite e o Noriega, dessa vez a cabine da emissora estava ocupada pelo Luis Carlos Junior e o Roger, ex-jogador e atual finalizador, que agora vai exercer carreira de comentarista.

Foi tranquila a chegada à Arena, e fomos os primeiros a entrar e ocupar os lugares. Com o horário do jogo mais cedo do que o habitual, o público definitivo se consolidou perto do apito inicial. Antes do jogo houve polêmica sobre o setor destinado à avalanche: o Grêmio foi multado pela Conmebol, que exigiu a não utilização do espaço, e os Bombeiros exigem a instalação de cadeiras para a liberação do alvará definitivo. Para esse jogo, o espaço foi fechado (ficou vazio, com duas enormes bandeiras gremistas), e os torcedores foram redirecionados para outros setores.

Com a bola rolando, o Grêmio foi para cima e parecia que seria um massacre. O Huachipato conteve o ímpeto inicial e arriscou uns lances no ataque. O time do Luxa se atrapalhou com a marcação adiantada do adversário (como ocorrera contra a LDU, e no ano passado em vários jogos, como o Millionarios, Palmeiras...) e os erros de passes no meio-campo tiraram a paciência da torcida. As primeiras jogadas de Adriano foram de efeito: passes de primeira, giros e outros enfeites, e todos passes errados. Souza se contaminou e ficou nervoso, e errou muitos passes. Pareceu a todos nós que era a pior partida do Souza no Grêmio. O time visitante conseguiu vários escanteios, um chute fora da área com perigo, e a coisa estava se desenhando para um gol do Huachipato. Que chegou com o aproveitamento de um vacilo da zaga gremista.

O gol logo cedo foi surpreendente, mas havia certeza da possibilidade da reversão do placar. O primeiro tempo todo passou e as chances concretas de gol foram escassas. Elano e Zé Roberto não vinham receber a bola para armar o jogo, então Saimon, Cris, Souza e Adriano (os volantes na base dos passes errados) eram obrigados a fazer lançamentos, ou passes laterais, dificultando a saída de jogo.

No intervalo, Luxemburgo partiu para o tudo ou nada, sacando Adriano para o ingresso de Marcelo Moreno. O objetivo era complicar a marcação com mais um jogador no ataque. O Grêmio do 2.º tempo foi melhor, mas foi o Huachipato quem marcou, ampliando em mais um vacilo da zaga. Cris (pelo alto) e Saimon foram eficientes na maioria dos lances, mas não em todos. E o Huachipato fez 0x2. Aí ficou complicado.

Todos víamos que Barcos foi uma excelente aquisição. O cara é o atacante trombador, e ele ganha as divididas com os zagueiros, algo muito raro no Grêmio nos últimos anos. Provocou o lance do pênalti e pediu para bater e fazer o primeiro gol com a camisa gremista.

O gol do empate não saia, então Marco Antonio e Welligton entraram no lugar de André Santos e Vargas. O estreante lateral esquerdo mostrou que tem qualidade, e que estava completamente fora de ritmo de jogo (exagerou a força em passes longos, ou optou por não correr para o ataque quando deveria fazê-lo) e Vargas exagerou na correria em direção ao gol (antes de chutar ou de passar para alguém perdia a bola, ou dava um passe errado, ou não se acertava para receber o passe de Moreno ou Zé Roberto). Com essa configuração, Elano (que só assumiu o papel de armador a partir dessa hora) e Marco Antonio ficaram no meio, e Zé Roberto na lateral esquerda. Pois o cara se mostrou o melhor lateral possível, com arrancadas fortíssimas em direção à linha de fundo. Mas não era dia: Welligton (concluiu para fora) e Barcos (o goleiro salvou) perderam chances incríveis de gol. A arbitragem, típica de Libertadores, deu apenas 3 min de acréscimos, e não permitiu a cobrança do segundo escanteio em favor do Grêmio.

O resultado, inesperado e incomum, era injustificável. Na coletiva pós-jogo, pela primeira vez ouvi Luxemburgo perder a linha, falando muitos palavrões, e deixando de falar do jogo. Geralmente ele concentra suas análises no jogo, e deixa bem claro aos repórteres ("vou falar só do jogo"). Dessa vez o cara resolveu atirar para todos os lados: lembrou da troca de diretoria, que acarretou a demora nas contratações, e assim a pré-temporada foi com um grupo, e o time titular contém outros jogadores; o gramado da Arena ainda é inservível, e isso teria prejudicado o time do Grêmio, que é de toque de bola. Luxa sugeriu e enfatizou bastante que o Grêmio deveria mandar os seus jogos no Estádio Olímpico por um mês, para dar tempo do gramado da Arena ficar em condições melhores. O próprio Luxa, no entanto, admitiu que o Fluminense, na noite anterior, venceu por 1x0 o Caracas, na Venezuela, em Estádio acanhado e gramado em piores condições. E acrescento lembrando que o Grêmio do Luxa foi vencido pelo retrancadíssimo Palmeiras do Felipão e do Barcos em 2012, na Copa do Brasil, por 2x0 no belíssimo gramado do Estádio Olímpico. Na época o treinador justificou-se dizendo que faltava o jogador que entrasse a dribles na defesa adversária, e que esse jogador era o Zé Roberto, que se apresentou logo depois da desclassificação. Enfim, sempre tem alguma coisa faltando...

Pode não ser por acaso que Luxa ainda não tenha ganho nenhuma Libertadores, e tenha empilhado títulos brasileiros. Os times do Luxa, desde a época do Palmeiras e dos confrontos com o Grêmio do Felipão, tinham dificuldades com adversários fechados e com proposta defensiva, o que é tradicional de competições do estilo mata-mata como Libertadores e Copa do Brasil; já o Brasileirão é de pontos corridos, e assim todos os jogos valem o mesmo, desimportando se é clássico ou se é contra adversário nas últimas posições da tabela. Os times não jogam tão fechado nessas condições, e um clube com bom elenco cumula bastante pontos para se tornar campeão. Então parece-me que o caminho da Libertadores 2013 vai ser bastante complicado (ainda há tempo para melhorar o time e obter a classificação), mas é boa a chance de título do Brasileirão 2013.

Grêmio: Marcelo Grohe; Pará, Cris, Saimon e André Santos (Marco Antonio, 26’/2º); Adriano (Marcelo Moreno, int), Souza, Elano e Zé Roberto; Vargas (Welliton, 26’/2º) e Barcos. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Huachipato: Nery Veloso; Contreras, Muñoz Camilo, Labrín e Crovetto; Yedro, Sandoval, Arrue (Aceval, 28’/2º) e Felipe Reynero (Nuñez, 15’/2º); Falcone (Gonzales, 38’/2º) e Braian Rodriguez. Técnico: Jorge Peliicer.

Gols: Falcone (H), a 17 do primeiro tempo; Braian Rodriguez (H), a 5, Barcos (G), a 8 do segundo. Cartões amarelos: Crovetto, Braian Rodriguez, Contreras (H), Saimon (G) Arbitragem: Diego Abal, auxiliado por Hernan Maidana e Juan Belatti (trio argentino). Renda: R$ 1.276.060,00. Público: 29.174 (28.164 pagantes).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Grêmio 5x1 São José (Gauchão 2013, 1.º turno, 6.ª rodada, Estádio Olímpico, 06.02.2013, 19h30min)

Com pré-temporada curta e dividida em mais de um período, e disputando simultaneamente a fase pré-grupo da Copa Libertadores 2013, o Gauchão 2013 foi evidentemente deixado em segundo plano, pelo menos nas primeiras rodadas do primeiro turno. Assim, até a 6.ª rodada, o Grêmio entrou em campo com um time B, eventualmente reforçado com titulares, e a campanha é pífia. De destaque apenas o centroavante Lucas Coelho, que fez dois gols e a imprensa não demorou em apontá-lo como maior talento de atacante surgido da base gremista desde décadas. Mabília treinou o time nos primeiros jogos, e depois foi substituído por Roger, uma vez que o Grêmio superou a fase pré-grupo da Libertadores 2013. Por fim, a Arena ainda não está pronta por diversas razões (desde o jogo contra a Pobreza, do Ronaldo x Zidane, uma semana após a inauguração contra o Hamburgo, diminuiu muito o número de trabalhadores na obra, e falta bastante coisa para ser aprontada; além disso, o gramado não está em condições ideais, e rolou a polêmica da avalanche no jogo contra a LDU - a grade não resistiu e quase dez torcedores se feriram no incidente, que tem provocado discussões que podem acarretar o final da avalanche, ou da torcida popular (com instalação de cadeiras), ou com o reforço da proteção dos torcedores); assim, o Grêmio tem exercido o mando de campo no Gauchão 2013 no Estádio Olímpico (particularmente, depois de já ter me despedido do Olímpico, e visto jogos na Arena, não curti o retorno à velha casa).

Depois de perder o Grenal em Erechim por 2x1 com time B para os titulares do time do Dunga, e com a vaga na fase de grupos da Libertadores 2013 assegurada, Luxemburgo resolveu escalar quase todos os titulares para o jogo no Olímpico contra o São José, que até então tinha campanha invicta. O total desinteresse na partida, a essa altura, acarretou um público irrisório (menos de 9mil no total). Mas estava bom de acompanhar o jogo. O Grêmio não teve dificuldades, e após o primeiro gol, as coisas andaram favoravelmente, sobretudo no segundo tempo.

Destaques para Zé Roberto e Elano, que se valeram da fragilidade do adversário para conduzir várias jogadas de ataque. Wliian José não aproveitou mais uma oportunidade (parece que o São Paulo liberou muito fácil o atacante... que tem tido dificuldade para se entender com a bola), Leandro fez algumas jogadas e tal, mas quem se deu bem foram os que entraram na etapa complementar: Bertoglio e Mamute fizeram gols, sendo que o segundo participou bastante das ações de ataque.

Ventou bastante (frente fria em pleno fevereiro pré-carnaval) e saímos do Estádio pouco antes dos acréscimos. Do lado de fora ouvimos o golaço de Bertoglio.

Tem jogo no final de semana e na próxima quarta (de cinzas) pelo Gauchão, e na quinta tem o primeiro jogo da fase de grupos da Libertadores 2013.




GRÊMIO (5): Marcelo Grohe; Pará, Werley, Saimon e Alex Telles; Souza, Marco Antonio, Elano (Bertoglio, 32'/2º) e Zé Roberto (Léo Gago, 32'/2º); Leandro (Mamute, int) e Willian José. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SÃO JOSÉ (1): Vitor; Thiago Matos, Gustavo, Douglas Lima e Alisson (Rodrigo Paulista, 15'/2º); Everton, Bruno Martins, Cléber Oliveira e Hugo Alexandre (Henrique, 21'/2°); Luisinho (Aldair, 12'/2º) e Lucas Gaúcho. Técnico: Agenor Piccinin

Gols: Elano (G), a 23 minutos do primeiro tempo, Zé Roberto (G), a 4, Mamute (G), a 7, Zé Roberto (G), a 26, Rodrigo Paulista (SJ), a 37, e Bertoglio (G), a 46 do segundo. Cartões amarelos: Bruno Martins (SJ), Leandro, Saimon, Alex Telles (G). Arbitragem: Andre Cieslak, auxiliado por José Calza e Maurício Coelho Penna. Público: 8761 (7.362 pagantes). Renda: R$ 174.995,50

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Grêmio 1 (5)x(4) 0 LDU (Copa Libertadores 2013, fase pré-grupo, jogo de volta, Arena, 30.01.2013, 22h)

Com a campanha no Brasileirão 2012, o Grêmio obteve classificação para a Libertadores 2013, mas deveria passar pela fase pré-grupo. Entre reforços e saídas, Koff, Rui Costa, Selaimen e outros trouxeram Dida para o gol (o veterano fez um bom campeonato pela Portuguesa, e serviria para dar maior segurança pela maturidade, pois avaliou-se que Grohe, apesar de ter se apresentado bem no geral, após assumir a titularidade com a venda de Victor, era insuficiente, pois os goleiros reservas Busatto e Matheus são muito jovens); Cris para a zaga (Werley foi suspenso por 3 jogos pelos incidentes do jogo contra o Millionarios pela Copa Sulamericana 2012, e Naldo foi vendido para a Udinese); Bressan, Alex Telles vieram do Juventude; renovaram-se contratos de Pará, Souza e Zé Roberto; Jean Deretti do Figueirense; e principalmente, após uma negociação complicada e quase infrutífera, veio Vargas do Napoli.

A pré-temporada foi mais curta do que seria desejável, e com a definição do confronto com a LDU do Equador, optou-se pela viagem com quase duas semanas de antecedência, para viabilizar aclimatação com os efeitos da altitude. Selaimen, como executivo de futebol, pediu para sair, e Vilson, que ganharia chance entre os titulares, foi desligado do grupo por indisciplina (não obedeceu orientação do Luxemburgo em jogo-treino e não quis voltar a campo). Esses fatos davam indícios de que as coisas não andavam bem nos bastidores, e aí é meio caminho para o fracasso.

A primeira partida dessa fase pré-grupo, contra a LDU, em Quito, foi complicada. O time de Luxemburgo não acertava passes e a LDU se mantinha no campo de ataque. Mas no primeiro tempo ninguém fez gols. E o Grêmio melhorou em campo e teve boas chances de gol, desperdiçadas sobretudo por Marcelo Moreno. Dida se contundiu em uma saída de bola e foi substituído por Marcelo Grohe. No primeiro lance seguinte, a LDU fez o gol da vitória no único lance em que a defesa gremista falhou. O resultado impunha ao Grêmio vencer por dois gols de diferença. Com um gol de diferença a decisão iria para os pênaltis. E o empate favorecia a LDU.

Luxa tinha uma semana para armar o time para o jogo da volta, com a imposição de vitória. Dida não se recuperou da lesão, e por ironia, Grohe seria escalado para o jogo decisivo. Particularmente, não era isso que me preocupava, pois Grohe já havia desempenhado bem nesse tipo de situação (teve um Gauchão - acho que o de 2006 - que Galatto era o titular, mas estava suspenso ou lesionado para o Grenal decisivo no Beira-Rio; Grohe era ainda mais inexperiente e entrou em campo e mandou bem). Cris era dúvida em razão de dores musculares e acabou não jogando mesmo. Assim, a defesa gremista parecia frágil, com Saimon sendo o mais experiente (!?) ao lado do estreante Bressan, e nas laterais Pará pela direita, e o estreante Alex Telles pela esquerda. O meio de campo seria o titular, e no ataque Moreno ganhou a companhia qualificada de Vargas.

Dirigimo-nos para a Arena com umas duas horas de antecedência. Em nenhum lugar tinha visto que deveríamos ter comprado antecipadamente a vaga no estacionamento da Arena, mas chegando lá nosso feeling deu conta de que era melhor estacionar num Estapar da vida, um pouco mais caro, mas garantido. E foi a coisa certa, pois pegamos uma das últimas vagas, efetivamente não teríamos como estacionar na Arena, e foi estratégico para o caminho da volta (percorremos aproximadamente os 7,5km até a minha casa em 18min, uma barbada, perto de quem ficou horas preso nas outras saídas mais competitivas).

Antes da bola rolar, homenagem às vítimas do desastre em uma boate em Santa Maria (mais de 230 pessoas morreram após um artefato com fogo provocou a queima do revestimento acústico de espuma da boate, que por sua vez tomou conta do local, que tinha apenas uma saída - 90% das mortes foi por asfixia). A partida foi complicadíssima. A LDU veio fechada, deixando o jogo rolar ao seu proveito, retardando as reposições. O árbitro não era do tipo que marcava faltas (dizia-se que só em caso de "tiro" ele assinalaria alguma falta). Jogo típico de Libertadores. O time do Luxa não conseguia furar o bloqueio da LDU. O primeiro tempo passou inteiro, e era difícil acreditar que a classificação seria obtida. Zé Roberto e Elano não estavam conseguindo jogar, e Marcelo Moreno não ganhou nenhuma dividida - mas também não recebeu nenhum cruzamento correto do Pará. Particularmente achei que Elano estava abdicando demais da partida: toda bola que vinha nele, o cara dava um passe de primeira - sempre errado; quando alguém ia cobrar arremesso lateral e fazia menção de que passaria a bola para Elano, o cara apontava para alguém mais atrás para receber o passe. Mas ele chutou duas bolas difíceis para o bom goleiro da LDU, e no segundo tempo ele se revelou um dos heróis da classificação. De outra banda, Marcelo Grohe estava firme, tanto quanto a zaga jovem de Bressan e Saimon e Alex Telles que ganharam todas as jogadas na defesa.

Luxa foi para o tudo ou nada na volta do intervalo. Sacou Moreno e Fernando e promoveu o ingresso de André Lima e Willian José. Na hora deu pra notar a mudança na disposição tática (para isso favorece os novos assentos na Arena) e a LDU não tinha mais como marcar tão em cima do campo do Grêmio, pois o Grêmio tinha vários jogadores no campo da LDU para serem marcados. Pouco depois dos 15min, Elano se iluminou e acertou um chutaço de fora da área e marcou o primeiro gol em jogos oficiais na Arena. Na comemoração do gol, a tradicional avalanche provocou a derrubada da grade e vários torcedores caíram no "fosso", acarretando entre 7 e 8 feridos. O incidente teve ampla repercussão (talvez maior que o resultado da partida) e é certo que servirá para a revisão do posicionamento dos torcedores das arquibancadas populares .



O placar de 1x0 trouxe alívio pois servia para levar a decisão para os pênaltis. O Grêmio buscou o segundo gol, sem sucesso. Jean Deretti foi insinuante em jogadas agudas e provocou expulsão de um adversário.

Na decisão por pênaltis alguns novatos foram selecionados. Na NBA, por exemplo, a jogada decisiva recai sempre sobre o jogador com maior salário (o arremesso do último segundo sempre é de um Kobe Bryant ou Lebron James). No futebol não é bem assim, e se entende como normal que os melhores jogadores fiquem de fora das cobranças sob alegação de cansaço, falta de confiança, etc. O primeiro dos tiros livres foi bom, mas Saimon telegrafou o canto. Menos mal que um jogador da LDU chutou uma bola no poste, igualando o escore. Coube a Marcelo Grohe fazer a defesa salvadora e classificar o Grêmio para a fase de grupos da Libertadores 2013.

Definida a classificação, o Grêmio ficou no Grupo 9 com Fluminense, Huachipato-CHI e Caracas-VEN.


LIBERTADORES - 30/1/2013 - PRIMEIRA FASE (VOLTA)

LDU: Domínguez; Urtado, Morante, Canuto; Madrid , Hidalgo, Vera, Feraud (Vitti,36'/2ºT) e Reasco; e Garcés (Velez). Técnico: Edgardo Bauza

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Bressan, Saimon e Alex Telles; Fernando (Willian José, int), Souza, Elano (Jean Deretti, 36'/2ºT) e Zé Roberto; Vargas e Marcelo Moreno (André Lima, int). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Gols: Elano, aos 16 minutos do segundo tempo (G). Cartões amarelos: Elano (G),Souza (G); Vera (L). Cartões vermelhos: Urtado (L). Renda e público: 41461 pessoas. Arbitragem: Saúl Laverni, auxiliado por Ernesto Uziga e Gustavo Rossi

domingo, 9 de dezembro de 2012

Grêmio 2x1 Hamburgo (amistoso - inauguração Arena do Grêmio, 08.12.2012, 22h)

A construção da Arena era um papo incipiente no final de 2006 e início de 2007, mas ganhou impulso a partir do apagão no Estádio Olímpico na estreia contra o Cucuta pela Libertadores de 2007 (resenha aqui). Foi a partir dali que o discurso do então presidente Odone ganhou justificativa, e passou a ser defendida abertamente a implosão do Estádio Olímpico e a construção de uma Arena para o Grêmio.

O local escolhido para abrigar o novo estádio foi no bairro Humaitá, após especulação de vários terrenos. A obra começou a ser concretizada em 2009/2010, e em pouco mais de dois anos a Arena foi erguida. Jamais passei na frente (havia um ponto para visitação), e dizia-se que era possível ver a construção passando pela Freeway. Fato é que só fui conhecer a Arena no dia da inauguração.

Durante 2012, com o estágio já avançado, e sendo projetada uma grandiosa inauguração, muita coisa foi prometida. Abertura com um show do AC/DC (ao fim de demorada negociação, a banda não abriu mão do seu descanso - após longa turnê do disco Black Ice de 2008 - e recusou proposta milionária), ou do Foo Fighters (a banda não deu muito papo pois recém havia anunciado período longo de inatividade para os próximos anos), ou até da Shakira (impossibilidade decorrente de gravidez)... acabou que foi confirmado apenas uma apresentação do Blue Men Group antes da partida inaugural. Além disso, deu certo o agendamento do show de encerramento do Estádio Olímpico, com a Madonna, uma semana após a última partida oficial (que foi o Grenal pela última rodada do Brasileirão 2012).

Quanto ao jogo de inauguração em si, seria um amistoso, e durante meses a negociação envolveu o Bayern München. Pois o maior campeão alemão tem grandes jogadores, de várias seleções (Neuer, Lahm, Badstuber, Boateng, Schweinsteiger, Kroos, Müller, Gomez da Alemanha; Ribbery da França; Robben da Holanda; Pranjic da Croácia; dentre outros tantos), e no início da temporada não estava muito bem. Mas no decorrer do primeiro semestre, o time de Jupp Heynckes engrenou e avançou todas as fases da Champions League 2012 e se classificou para a final contra o Chelsea, sendo certo que o jogo final seria disputado em casa, na Allianz Arena. Lembro que o Antonini chegou a se manifestar dizendo que secaria o Bayern (para perder a final), para não haver conflito de datas entre a inauguração da Arena e a final do Mundial interclubes FIFA em dezembro/2012. E o Bayern acabou perdendo a decisão nos pênaltis. Então o Bayern estaria liberado, de certa forma, embora a Federação Alemã de Futebol não disponbilizasse datas para o Bayern adiar alguma partida da Bundesliga para poder vir ao Brasil. A negociação, mais uma vez, fracassou, e o Bayern não veio. Então o plano B foi o Hamburgo, que não disputa nada na Bundesliga e reside na memória dos torcedores gremistas pois foi contra o Hamburgo que o Grêmio conquistou em 1983 o seu título mais importante. Com o Hamburgo as coisas foram mais tranquilas: o clube não se importou de vir ao Brasil praticamente no dia do jogo (disputou partida pela rodada da Bundesliga na sexta-feira, e veio para o Brasil em seguida a fim de disputar o jogo na Arena no sábado). O time tem bons jogadores como o Rene Adler (goleiro que voltou a ser convocado para a Seleção Alemã), o Aogo (lateral que já foi da Seleção Alemã), Berg (da Seleção da Suécia) e, principalmente, o holandês Rafael Van der Waart. Pois o craque se contundiu e não viria... além dele, vários outros jogadores principais da equipe acabaram não sendo escalados (Adler, por exemplo) ou entraram no decorrer da partida de inauguração (como Westermann, Son) ou foram substituídos (Aogo).

Muito bem, o jogo seria contra o Hamburgo e haveria apresentação do Blue Men Group. A questão dos ingressos foi resolvida dando prioridade aos sócios para a compra. Deveríamos entrar num site, selecionar a cadeira, pagar (não vimos a opção de pagamento por cartão de crédito, somente pelo Paypal) e ir buscar o voucher e o adesivo do estacionamento no Estádio Olímpico.

A Arena não estava pronta - foi aprontada para a inauguração, que seria o último ato do presidente Odone, que poucas semanas antes perdeu a eleição presidencial para Koff. Além disso, nenhuma obra de acesso viário foi realizada. Então todos sabiam que seria bem complicado chegar para a inauguração. O sábado de sol favoreceu. E nos organizamos para chegar com bastante antecipação: estávamos estacionados no E2 às 16h. Foi tranquilo o caminho. Caminhada de 10 minutos. A Arena é realmente uma obra grandiosa. Fomos até o portão oeste e já havia muita gente. Apesar do que havia sido dito sobre a abertura dos portões, fato é que nada foi liberado (ainda havia limpeza nas cadeiras e arquibancadas, dentre outros preparativos) e a Brigada Militar também não queria fazer a revista nos portões, e sim na entrada da rampa. Isso acarretou uma demora incrível na entrada, e ficamos até às 19h do lado de fora. Mesmo com a liberação da entrada, a lentidão, as filas enormes que só aumentavam para os lados, e resolvemos esperar as coisas acalmarem. Encontrei o Roberto aka sósia do Renato Portaluppi, e em seguida vimos passar o lendário goleiro Galatto.

Uma vez liberada a entrada pela rampa, acessamos o portão designado para os nossos lugares, e tratamos de sentar. No decorrer da espera vimos filas imensas nos bares e nos banheiros, e estes precariamente instalados (muitos não funcionavam, e os que funcionavam tinham longas filas dentro e fora). A visão já quando se entram nos setores é muito bonita: vê-se a arquibancada do outro lado, uma parede azul com torcedores. Dois telões LED, um em cada lado do campo, passavam várias imagens que iam conduzindo a apresentação. Houve o Blue Men Group então (não me empolguei pois não dava pra ver direito o que eles estavam fazendo no campo), o Borghettinho tocando no centro do gramado o Hino Riograndense, o Ivan Lins tocando e cantando o Hino do Grêmio pelo telão, discursos do Antonini, de um representante da OAS, da Arena, e do Odone (que parecia temer ser vaiado e ficou bastante emocionado com os aplausos - realmente não era momento para vaias).

Importava para o Grêmio (a) ser o primeiro a marcar no novo estádio e (b) vencer o primeiro jogo. O gramado não estava pronto e soltava-se em todos os lances. Os reservas do Hamburgo não resistiram por muito tempo os titulares gremistas, pois André Lima fez o primeiro gol na Arena aos 9min do 1.º tempo.

O jogo estava tranquilo, e pouco antes do intervalo meu pai foi para um dos bares para comprar algo para comermos. Pois o 1.º tempo encerrou, o intervalo passou inteiro, e com 20min da etapa complementar (e o time de Luxemburgo desfigurado com várias alterações, para preservar os titulares de alguma lesão em decorrência dos buracos no gramado), quando Rondinelly se preparava para entrar, resolvi ir procurá-lo, pois o sinal dos celulares era inexistente.

Em seguida saiu o gol do Hamburgo: um belo chute de Westermann, bom jogador que havia entrado no ótimo lateral Aogo. A essas alturas muitas pessoas já estavam indo embora, então resolvemos não voltar para os lugares, e sim sair da Arena para evitar o tumulto do pós-jogo. Já no carro ouvimos o gol da vitória marcado por Marcelo Moreno, já quase ao final.

Os objetivos para a partida de inauguração foram atingidos. Agora resta aguardar a Libertadores 2013 na nova casa.



Amistoso de inauguração da Arena do Grêmio — Porto Alegre, 8 de dezembro de 2012

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Werley (Saimon), Naldo e Anderson Pico (Tony); Fernando (Marco Antonio), Souza (Léo Gago), Zé Roberto (Marquinhos) e Elano (Marco Antonio); Leandro (Rondinelly) e André Lima (Marcelo Moreno). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

HAMBURGO: Drobny; Bruma, Scharner Paul (Westermann), Rajkovic (Diek Meier) e Aogo; Sala, Rincon, Tesche (Aislan) e Ilicevic; Berg e Rudnevs (Son). Técnico: Thorsten Fink

Gols: André Lima (Grêmio, 9'/1ºT); Westermann (Hamburgo, 25'/2ºT); Marcelo Moreno (Grêmio, 42'/2ºT). Cartões amarelos: Illicevic, Tesche (Hamburgo); Saimon (Grêmio). Arbitragem: Carlos Amarilla, César Franco e Milciades Saldívar (trio paraguaio).

sábado, 8 de dezembro de 2012

Grêmio 0x0 Inter (Brasileirão 2012, 38.ª rodada, Estádio Olímpico, 02.12.2012, 17h)

Na reta final da temporada 2012, só interessava o vice-campeonato do Brasileirão 2012 ao Grêmio, pois fora desclassificado pelo Millionarios de Bogotá na Copa Sul-Americana 2012 (derrota lamentável por 3x1, de virada, numa atuação deprimente no segundo tempo, com inexplicável entrada de Kleber logo substituído por nova lesão, e de Elano, que estava machucado, e entrou visivelmente sem condições de jogo - o árbitro marcou pênalti duvidoso contra o Grêmio no último minuto).

Em 18.11.2012 o time de Luxa empatou com a Portuguesa em 2x2, em São Paulo, numa demonstração de reação após estar perdendo por 2x0. Em 25.11.2012, em Florianópolis, o Grêmio venceu o Figueirense por 4x2.

Para ser vice, o Grêmio podia empatar o Grenal se o Atlético-MG não vencesse o Cruzeiro. Se o Galo saísse vitorioso (o que era o mais provável, pois não dá para contar que o time de Celso Roth venceria o de Cuca e Ronaldinho Gaúcho), então só a vitória no Grenal interessava.

Esse Grenal foi significativo pois além de decidir o vice-campeão, também seria o último jogo no Estádio Olímpico. Para os gremistas representava então atingir o objetivo no Brasileirão 2012 (e assegurar entrada na Libertadores 2013 a partir da fase de grupos), e se despedir do Estádio Olímpico com um grande resultado. Para os colorados, que estão desmobilizados, com treinador recém demitido (Fernandão caiu pressionado pelos maus resultados e por uma ameaça por parte dos jogadores de entregar o Grenal), e sequência de derrotas, o jogo serviria para arruinar a festa gremista.

Muito mistério, mas mesmo os treinos fechados foram deixados em segundo plano considerando o destaque da imprensa para a despedida do Olímpico.

O Estádio ficaria lotado. Então fomos cedo e ficamos aguardando umas 2h até as 17h, horário do início do jogo. E fomos direto para as nossas cadeiras, conforme o número que consta dos cartões. Antes da bola rolar houve discurso e entrada em campo de vários ex-jogadores.

O jogo foi complicado. Luxemburgo adotou uma escalação que jamais venceu jogo esse ano, num esquema 4-5-1. Logo se viu que Zé Roberto estava cansado (mas ainda assim foi o melhor em campo pelo Grêmio), Elano não apareceu, e André Lima estava isolado. Era bola pra frente e o solitário centroavante tinha que lutar contra 3 ou 4 defensores colorados. Werley levou a pior em um lance aéreo e teve que ser substituído por Saimon, pouco confiável pois ou é expulso, ou comete pênalti. Torci para que o cara entrasse em campo tranquilo. O Inter, por sua vez, tinha Dalessandro num dia inspirado, então os ataques eram sempre perigosos.

O segundo tempo foi mais emocionante. Logo no início, Muriel interceptou jogada de Elano fora da área e foi expulso. Na confusão que seguiu, Luxemburgo entrou em campo para afastar jogadores como Pico e evitar alguma expulsão de jogador do Grêmio. Bem, o árbitro eleito para esse jogo foi o Heber Roberto Lopes, que não é dos meus árbitros favoritos, e o cara resolveu expulsar o Luxemburgo por invasão de campo. Com um jogador a mais o jogo era do Grêmio. Leandro e Marquinhos entraram em campo. Damião perdeu a cabeça e acertou Saimon - foi expulso imediatamente. Sempre achei o cara um grande centroavante, e grande figura para a Seleção, mas ele decepcionou ao ironizar a torcida no Estádio Olímpico. Então não deve ser por acaso que ele não tem feito tantos gols, e na Seleção já estava sendo preterido por Hulk.

Com dois jogadores a mais a vitória parecia questão de tempo. Mas ninguém parecia saber o que fazer para chegar no gol do Inter. Em 5min houve algumas boas chances de gol, inclusive uma bicicleta do Zé Roberto. Renan pode não ser um grande goleiro (nem sei se ele atuou em alguma partida esse semestre, ou esse ano), mas cresce em Grenal. Fechou o gol. Nos contraataques o Inter causava perigo.

E o jogo se encaminhava para o final. O árbitro deu 5min de acréscimos. No 1.ºmin o Saimon foi agredido pelo Osmar Loss, técnico interino do Inter, e revidou. Ambos foram expulsos e o jogo parou por uns 5min. Na retomada, Heber pegou a bola e encerrou o jogo, deixando-nos todos decepcionados. Queríamos ver futebol, e o árbitro queria ir embora pra casa. Nitidamente não estava preparado para um Grenal.

Ficamos de pé por uns 15min. Ninguém ia embora. Então resolvemos sair, pois havia possibilidade de invasão de campo e confusão. Na saída, despedi-me do Estádio tocando as paredes, cadeiras e tudo. Todo o concreto está firme, e vai virar pó. Foi muito complicado conseguir táxi, e a empresa pública municipal não colaborou nada com o trânsito.

Enfim, vimos o último gol no Estádio Olímpico (Moreno contra o São Paulo), e a série de maior invencibilidade (entre 2008 e 2010), com os jogos resenhados aqui. Fiz umas 180 resenhas de jogos do Grêmio no Olímpico desde 2005. Antes disso devo ter visto outro tanto de jogos, desde que comecei a frequentá-lo no início dos anos 1980. Meu pai mais ainda, desde 1970. Nem há tempo para saudosismo, pois semana que vem já vamos para a Arena, inaugurá-la com o amistoso contra o Hamburgo.

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Naldo, Werley (Saimon, 30 do 1ºT) e Anderson Pico (Leandro, 17 do 2ºT); Fernando (Marquinhos, 23 do 2ºT), Souza, Léo Gago, Elano e Zé Roberto; André Lima. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

INTER: Muriel; Ratinho (Renan, 5 do 2ºT), Moledo, Índio e Fabrício; Ygor, Guiñazu, Josimar, Fred (Cassiano, 17 do 2ºT; Forlán, 43 do 2ºT) e D'Alessandro; Leandro Damião. Técnico: Osmar Loss.

Cartões amarelos: Fred (I), Renan (I). Cartões vermelhos: Muriel (I), Leandro Damião (I), Saimon (G). Arbitragem: Héber Roberto Lopes, auxiliado por Carlos Berkenbrock e Ivan Carlos Bohn.

domingo, 11 de novembro de 2012

Grêmio 2x1 São Paulo (Brasileirão 2012, 35.ª rodada, Estádio Olímpico, 11.11.2012, 17h)

A campanha do Grêmio no 2.º turno tem uma sequência invicta, mas de muitos empates. Aquele 1x1 contra o Botafogo, em casa, foi sucedido por um 2x2, no Engenhão, em 17.10.2012, contra o Fluminense (um jogaço contra o líder disparado do campeonato, com golaço de Elano - cobrança de falta por baixo da barreira, no estilo Ronaldinho e Messi -, e expulsão de Moreno, que entrou no decorrer do jogo e ficou menos de um minuto em campo); um 0x0 contra o Coritiba, no Olímpico, em 20.10.2012; um 1x1 contra o Bahia, no Pituaçu, em 27.10.2012; e finalmente uma vitória pelo placar mínimo numa das piores atuações gremistas contra a Ponte Preta, no Olímpico, em 03.11.2012, com gol de André Lima no último minuto de jogo.

Em outubro o noticiário gremista ficou absorvido pela acirrada disputa presidencial entre Fábio Koff e Paulo Odone, com vitória para o primeiro na votação dos sócios. Diz-se que Koff pretende renovar com Luxemburgo, bem como a contratação de 5 reforços para assumir a titularidade, dentre os quais Lugano, zagueiro uruguaio que está descontente com a reserva no Paris Saint Germain. Por outro lado, confirmou-se essa semana a saída de Gilberto Silva, ao final da temporada, para o Atlético-MG, e diz-se que Zé Roberto irá para o Santos.

Paralelamente ao Brasileirão 2012, o Grêmio disputa a Copa Sul-americana 2012. O jogo de ida foi no Olímpico, com vitória mínima, e o jogo de volta é na semana que vem, contra o Millionarios. O outro clube brasileiro na disputa é o São Paulo, adversário do time de Luxa na 35.ª rodada do Brasileirão 2012.

Embora não se diga claramente, é claro que o Grêmio está priorizando a competição sul-americana, pois é a chance de Odone sair com um título da presidência. Sem Elano, Gilberto Silva, Werley e Kleber, Luxemburgo optou por esquema de 5 no meio-campo e apenas Moreno no ataque contra o bom time do São Paulo. A disputa é direta pela 3.ª posição, sendo que a depender do resultado do Atlético-MG, é capaz do Grêmio terminar a rodada na vice-liderança.

O São Paulo veio quase completo, com Rogério Ceni, Cortez, Jadson, Lucas, Luis Fabiano e Osvaldo. E no primeiro tempo o jogo foi complicado. O Grêmio teve várias chances de gol, e umas 3 ou 4 conclusões pararam na rede pelo lado de fora em cima do gol. Saimon substituiu Gilberto Silva, e o cara vinha de uma parada de mais de 180 dias... o retorno foi num jogo complicado, e o zagueiro cometeu pênalti no primeiro tempo. Rogério Ceni (a conhecida opinião do Milton Leite é muito pertinente) cobrou num canto e Marcelo Grohe pulou para o outro. O placar do 1.º tempo foi 0x1.

Na volta do intervalo o time gremista foi empurrado pela torcida. Após umas 3 chances de gol eu só estava esperando pela hora que Luxemburgo promoveria a entrada de mais um atacante. E não demorou para André Lima ser chamado e substituir Souza, um dos volantes que já tinha cartão amarelo. Demorou menos ainda para André Lima fazer um golaço, após jogadaça do Zé Roberto. O cara nem acreditou que fez o gol, pois demorou para sair para comemorar. A partir daí a pressão foi forte e o São Paulo acusou o golpe. Os jogadores se atiravam no chão pedindo atendimento, Rogério Ceni retardava reposição de bola - e errava os passes, que saíam pra lateral.

Marquinhos entrou em campo no lugar de Marco Antonio. E já no final do jogo, Marcelo Moreno, que havia perdido algumas ótimas oportunidades, fez gol de centroavante, após jogada de Pará. O Estádio explodiu com o gol da virada. Vilson entrou no lugar de Moreno, e o jogo se encaminhou para o final com direito a olé. A torcida gritou "fica Luxemburgo" e "fica Zé Roberto". O juiz apitou o final do jogo e ninguém queria ir embora. O time foi aplaudido, os jogadores foram agradecer o apoio da torcida, e Zé Roberto deitou no gramado e foi coberto por repórteres.

Um dos melhores jogos do Grêmio em Brasileirão no Estádio Olímpico.



GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Saimon, Naldo e Anderson Pico; Fernando, Souza (André Lima, 10'/2ºT), Léo Gago, Marco Antonio (Marquinhos, 30'/2ºT) e Zé Roberto; Marcelo Moreno (Vilson, 41'/2ºT). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Douglas, Rafael Toloi, Rhodolfo e Cortez; Denilson, Casemiro (Ademilson, 27'/2ºT) , Jadson (Willian José, 38'/2ºT) e Lucas; Luís Fabiano e Osvaldo (Maicon, 10'/2ºT). Técnico: Ney Franco

Gols: Rogério Ceni (43'/1ºT) (S); André Lima (15'/2ºT) e Marcelo Moreno (39'/2ºT). Cartões amarelos: Douglas, Luis Fabiano, Rhodolfo (S); Marcelo Moreno, Saimon, Souza, Fernando, André Lima (G). Arbitragem: André Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por Rodrigo Pereira Joia (RJ) e Fabiano da Silva Ramires (ES). Público: 40.217 (pagante); 5.677 (não pagante); 45.894 (total). Renda: R$ 1066416,50

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Grêmio 1x0 Millionarios/COL (Copa Sul-americana 2012, quartas de final, Estádio Olímpico, jogo de ida, 30.10.2012, 21h50min)

Dividido entre Brasileirão 2012 e Copa Sul-americana 2012, e com elenco no limite (fisica e mentalmente), Luxemburgo tem dito que as duas competições são importantes, e que o projeto e o planejamento estão em dia. Fato é que no Brasileirão 2012 o vice-campeonato está ficando distante, e restará a luta pelo 3.º ou 4.º lugar, o que acarretará a disputa da pré-Libertadores 2013. Cresce em importância a competição sul-americana, na qual o próximo adversário é o Millionarios de Bogotá/Colômbia, que eliminou o Palmeiras na fase anterior (perdeu o primeiro jogo por 3x1 e venceu em casa por 3x0).

Sabia-se que o Millionarios é um time esperto, e que tem o conhecido Renteria. O Grêmio não contaria com Elano, Werley e Kleber, ficando Souza no banco. Leandro, que teve lances de gols perdidos contra o Bahia, no Brasileirão 2012, no Pituaçu, formou o ataque com Marcelo Moreno.

O time visitante não deixou o Grêmio forçar aquela pressão que esperávamos. Chegou até a ameaçar o gol de Marcelo Grohe em umas duas oportunidades. No ataque gremista, gols eram perdidos. E muitos passes e jogadas erradas. O primeiro tempo foi complicado, até o gol de Marco Aurélio, de cabeça. A partir daí o Grêmio exerceu superioridade.

Zé Roberto continuou sendo o melhor jogador gremista, e no segundo tempo até bola na trave impediu a ampliação da vantagem. Souza entrou na metade da etapa complementar, e a equipe melhorou. Leandro não estava conseguindo mais boas jogadas e foi substituído; o time ficou com um atacante só, o que acarretou críticas a Luxemburgo pela opção. Só ao final o técnico mandou André Lima a campo.

O resultado mínimo dá a vantagem do empate no jogo de volta, na altitude de Bogotá, e se fizer gol, o Millionarios terá que devolver 3.


GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Gilberto Silva, Naldo e Pico; Fernando, Léo Gago (André Lima, 42'/2º), Marco Antonio (Souza, 25'/2º) e Zé Roberto; Leandro (Marquinhos, 30'/2º) e Marcelo Moreno. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

MILLONARIOS: Delgado; Ochoa, Torres, Franco e Martínez; Ramirez, Otálvaro, Ortiz (Vásquez, 25'/2º) e Candelo (Blanco, 33'/2º); Rentería e Cosme (Asprilla, 30'/2º).
Técnico: Hernán Torres

Gol: Marco Antonio (G), a 36 min do primeiro tempo. Cartões amarelos: Torres, Ramirez, Martínez (M), Leandro, Marco Antonio, Fernando (G). Arbitragem: Julio Bascuñan, auxiliado por Sergio Roman e Marcelo Barraza (trio chileno). Renda: R$ 281.775,50. Público: 20.055 (16.334 pagantes)

Grêmio 3x0 Sport (Série B, 31.ª rodada, Arena do Grêmio, 20.09.2022, 19:00)

 Com Renato de volta à casamata gremista, e após a vitória contra o Vasco, a expectativa era de como o Grêmio se portaria nos jogos fora de ...