domingo, 31 de agosto de 2008

Grêmio 2x1 Vasco da Gama (Brasileirão 2008, 23.ª rodada, Estádio Olímpico, 31.08.2008, 16h)

Flamengo 2x1 Grêmio - 21.ª rodada, 21.08.2008, 20h30min, Estádio Maracanã.

O técnico Caio Júnior, do Flamengo, anunciou que estava preparando sua equipe para uma decisão de campeonato contra o Grêmio. Afinal, os cariocas, que já foram líderes, estão colecionando resultados adversos, além de estarem perdendo seus principais jogadores para a tal janela de transferências (da e) para a Europa. Recentemente, no entanto, o Flamengo trouxe reforços, como Kléberson e Marcelinho Carioca. Do lado do Grêmio, já sabia que a campanha de vitórias dentro e fora de casa, e alguns empates, uma hora iria arrefecer, pois o campeonato é longo, e não há um time que seja muito melhor do que os outros (o equilíbrio parece ser a tônica deste Brasileirão 2008). Natural, então, que o Flamengo, jogando em casa, impusesse uma vitória de 2x1 sobre o time de Roth.

FLAMENGO: Bruno; Léo Moura, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim e Juan; Jaílton, Aírton (21 Toró, 29'/2º), Kléberson (18 Obina, 29'/2º) e Ibson; Marcelinho Paraíba e Maxi (5 Jônatas, 36'/2º). Técnico: Caio Júnior.

GRÊMIO: Victor; Jean (Reinaldo, 28'/2º), Pereira e Réver; Souza, Rafael Carioca, Willian Magrão, Tcheco e Anderson Pico (André Luís, 18'/2º); Perea (Makelele, int.) e Marcel. Técnico: Celso Roth
Gol: Maxi (F), aos 26min do primeiro tempo. Souza (G), aos 37min, e Toró (F), aos 40min do segundo. Cartões amarelos: Jean, Pereira, Willian Magrão (G), Toró (F). Arbitragem: Wilson Luiz Seneme (SP), Ednilson Corona (Fifa-SP) e Roberto Braatz Fifa-PR). Público: 31.716 pessoas (28.617 pagantes). Renda: R$ 497.038.

Náutico 1x1 Grêmio - 22.ª rodada, 24.08.2008, 18h10min, Estádio dos Aflitos, Recife/PE.

Jogo no Estádio dos Aflitos sempre traz boas recordações aos gremistas, depois do que ocorreu em 25.11.2005. Em 2008, o Náutico tem campanha irregular, sendo certo que o Grêmio tem conseguido bons resultados mesmo fora de casa. Dessa forma, não era demasiado esperar uma vitória do time de Roth. Não consegui acompanhar adequadamente ao jogo, pois estava fazendo escolhas complicadas, mas vi o suficiente para verificar que o Grêmio, após exercer supremacia nos 15min iniciais, não teve boa atuação, recuou e tomou o gol do time da casa no 2.º tempo. Mas, conforme o próprio Souza referiu, ao final do jogo, o Estádio dos Aflitos é vermelho mas é gremista, pois aos 48min50s, Réver marcou o gol de empate, que foi importante para preservar a distância de 5 pontos que o Grêmio tem sobre o 2.º colocado no momento (Palmeiras).

No meio da semana, o Grêmio dá uma pausa no Brasileirão e dedica atenção ao jogo de volta da Copa Sul-Americana.

NÁUTICO: André (David); Ruy, Adriano, Negretti e Paulo Santos; Hamilton, Ticão (Reinaldo), Alceu e Valdeir; Felipe e Kuki (Radamés). Técnico: Roberto Fernandes.

GRÊMIO: Victor; Léo (Makelele), Pereira e Réver; Paulo Sérgio, William Magrão, Rafael Carioca (Souza), Tcheco e Anderson Pico; Marcel e Perea (André Luís). Técnico: Celso Roth.

Árbitro: Wagner Tardelli (Fifa-SC), Carlos Berkenbrock (SC) e Alcides Zawaski Pazetto (SC). Cartões amarelos: Cartões amarelos: Willian Magrão, Paulo Sérgio, Victor (Grêmio); Hamilton (Náutico). Gols: Paulo Santos (N), aos 11 minutos do segundo tempo. Réver (G), aos 49 minutos do segundo tempo.


GRÊMIO 2x1 VASCO DA GAMA - 23.ª rodada, Estádio Olímpico, 31.08.2008, domingo, 16h.

Na quarta-feira o Grêmio conseguiu um empate, em casa, no Grenal pela Sul-Americana, após sair perdendo por 2x0. Apesar da desclassificação, o resultado não foi ruim, vez que o Grêmio entrou em campo com reservas, e agora pode se concentrar integralmente ao Brasileirão 2008, no qual faz campanha expressiva.

O jogo deste domingo de sol e calor seria contra o Vasco da Gama, do presidente Roberto Dinamite e do técnico Tita, que tem má campanha, e vem tentando se recuperar nos últimos jogos. No 1.º turno, a derrota no São Januário foi de amargar, pois o Grêmio estava muito melhor, e tomou um baile de um cara que entrou no 2.º tempo e acabou com o jogo. A vitória se impunha, assim como cautela contra o adversário perigoso. Souza teve atuação destacada no Grenal, e Roth escalou o jogador já na entrevista coletiva ao final do jogo. A sua tarefa (de encontrar uma posição para Souza) restou facilitada, pois William Magrão estava suspenso. Tcheco, então, assumiu posição mais recuada. Na véspera da partida, anunciou-se a contratação do atacante uruguaio Richard Morales.

A expectativa de público era para umas 40mil pessoas. Mas com a proibição de comercialização de bebidas alcoólicas dentro do Estádio, o público tem chegado bem perto da hora do apito inicial. Achei que conseguiríamos lugar melhor chegando depois das 15h25min, mas o Estádio já estava bem cheio. Ficamos bem do lado direito das sociais, entre os portões 1 e o do serviço médico. Veríamos o Grêmio atacar no 2.º tempo.

O Grêmio atacou bastante durante o 1.º tempo. Mas a defesa do Vasco se posicionou corretamente, e nos contra-ataques conseguiu um ou dois bons lances. As chances de gol perdidas pelo Grêmio durante o 1.º tempo davam a impressão de que os gols só viriam no 2.º tempo. Pico se machucou e deu lugar a André Luis, assim como Perea sentiu e foi substituído por Soares.

O jogo ficou muito melhor no 2.º tempo. O time de Roth estava muito bem postado em campo: quando o Grêmio estava com a posse de bola, sempre havia alguém para receber o passe e partir para a linha de fundo; Tcheco e Souza estavam inspirados e muito participativos; Souza, em especial, além de articular bastante no ataque, exerceu marcação sobre a defesa vascaína, e chegou a roubar bolas e iniciar contra-ataques; Soares, por sua vez, encheu o saco do treinador pedindo para ser escalado, recebeu oportunidades, e não desperdiçou (marcou 2 gols importantes em 2 jogos). Além disso, o time tem maturidade, ou seja, não sai para o ataque desesperadamente, nem dá chances para o adversário exercer pressão no ataque. Todos os méritos são de Roth e do bom grupo que foi disponibilizado para ele (o que diminui as chances de errar na escalação, ou inventar - tipo, trocar jogadores de posição, ou escalar alguém em posição na qual nunca atuou).

O lado direito foi o preferencial, geralmente com o irregular André Luis, e foi por esse lado que a bola sobrou para Marcel cruzar para a área e Soares fazer o 1x0.

1.º gol - Soares



Ao mesmo tempo em que Soares abria o marcador, a torcida comemorou o gol do Atlético/PR sobre o Palmeiras (o empate dos paulistas e a vitória gremista dariam vantagem de 7 pontos na liderança), além do gol do Sport. A euforia era enorme, e os gritos da torcida nunca pareceram tão verdadeiros ("o Grêmio vai saiiir campeãaaaaaaaaaaao"). O Grêmio continuou atacando, e numa jogada incrível de Tcheco, só não fez o 2x0 porque foi assinalado impedimento.

gol impedido



1x0 sempre é um resultado enganador, e tanto o Vasco não estava morto que Alan Kardec fez o gol de empate. Nem deu tempo para se abater ou se desesperar com o resultado inesperado no Estádio Olímpico. Numa jogada rápida, Soares serviu Marcel que fez o gol da vitória. A partir daí o time de Tita, bastante aplaudido antes da bola rolar, não jogou mais e só deu Grêmio. Houve chances para o 3.º gol, e resolvi registrar os últimos 3min de jogo (os acréscimos), com o Grêmio no ataque e a torcida empolgada.

apito final - últimos 3 minutos



Sábado que vem o adversário é o Fluminense, no RJ.

GRÊMIO: Victor; Léo, Pereira e Réver; Paulo Sérgio (Hélder), Rafael Carioca, Tcheco, Souza e Anderson Pico (André Luis); Perea (Soares) e Marcel. Técnico: Celso Roth.

VASCO: Tiago; Marquinhos, Eduardo Luiz, Jorge Luiz e Edu; Serginho (Mateus), Rodrigo Antônio, Alex Teixeira e Wagner Diniz; Jean (Éder) e Alan Kardec. Técnico: Tita.

Gols: Soares (G), aos nove, Alan Kardec (V), aos 25, e Marcel (G), aos 29 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos: André Luís (G); Jorge Luís e Alan Kardec (V). Arbitragem: Evandro Rogério Roman (Fifa/PR), auxiliado por José Carlos Dias Passos e Moisés Aparecido de Souza (PR). Público: 37.978 (33.943 pagantes). Renda: R$ 621.431,25. Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre.

CLASSIFICAÇÃO:
Equipe P V SG %
1º Grêmio (RS) 48 14 24 69,6
2º Palmeiras (SP) 43 13 12 62,3
3º Cruzeiro (MG) 40 12 11 58,0
4º Botafogo (RJ) 39 11 12 56,5
5º São Paulo (SP) 38 10 13 55,1
6º Vitória (BA) 37 11 9 53,6
7º Flamengo (RJ) 37 10 12 53,6
8º Coritiba (PR) 37 10 12 53,6
9º Sport (PE) 32 9 -3 46,4
10º Goiás (GO) 30 8 -1 43,5
11º Inter (RS) 30 8 -1 43,5
12º Atlético-MG (MG) 29 7 -9 42,0
13º Figueirense (SC) 28 7 -16 40,6
14º Vasco (RJ) 26 7 -5 37,7
15º Fluminense (RJ) 24 6 -5 34,8
16º Atlético (PR) 23 6 -6 33,3
17º Náutico (PE) 23 6 -14 33,3
18º Portuguesa (SP) 23 6 -17 33,3
19º Santos (SP) 23 5 -10 33,3
20º Ipatinga (MG) 21 5 -18 30,4

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Grêmio 2x2 Inter (Copa Sul-Americana 2008, Estádio Olímpico, 28.08.2008, 19h20min)

Com a campanha do Brasileirão 2007, o Grêmio obteve uma das vagas para a Copa Sul-americana, que na época servia como uma motivação para o 2.º semestre, pois é notória a especialidade do clube em competições do tipo mata-mata. Mas o Brasileirão 2008 tem se revelado surpreendente, pois ninguém esperava que o Grêmio fosse o líder da competição 5 pontos à frente do 2.º colocado no final do 1.º turno. Nessas condições, os dirigentes e a comissão técnica optaram por escalar os reservas para os jogos iniciais da Copa Sul-Americana, nos quais o Grêmio enfrentaria, ironicamente, após sorteio, o Inter. Este, por sua vez, faz campanha irregular no Brasileirão 2008, e pôs em campo sua força máxima. Particularmente, estranhei a decisão gremista de escalar reservas, mas parece-me que isso, além da comum alegação de preservar os jogadores para a competição principal e mais importante (Brasileirão 2008), tem a ver com o fato de que a Copa Sul-Ameriana é uma torneio de tiro curto, sem premiação expressiva, e sem maiores repercussões (o vencedor disputa um jogo contra o campeão da Libertadores, e era isso).

O primeiro jogo foi no Beira-Rio, em 13.08.2008 (uma quarta-feira, 22h), e, conforme escrevi aqui, na ocasião o Grêmio vinha de uma goleada expressiva sobre o Atlético-MG, no Mineirão, por 4x0, e no fim-de-semana seguinte, após o Grenal, bateria o São Paulo, no Estádio Olímpico, por 1x0. Então, ia dizendo que no jogo no Beira-Rio, o time da casa saiu na frente, mas o Grêmio conseguiu o empate com gol de Leo. O 1x1 fora-de-casa trazia para o Estádio Olímpico a vantagem de jogar pelo 0x0, sendo que novo 1x1 traria a decisão para os pênaltis. Empate de 2x2 ou mais serviria para o Inter.

Após o jogo contra o São Paulo, o time de Celso Roth teve uma seqüênica de apresentações insatisfatórias: derrota para Flamengo, no Maracanã (2x1), e empate contra o Náutico, nos Aflitos (1x1, com gol de empate aos 48min50s). Mesmo assim, o Grêmio permanece na liderança do Brasileirão 2008, e se decidiu que no Grenal decisivo, da Sul-Americana, seriam escalados, mais uma vez, os reservas.

Jogo tão cedo é certeza de trânsito complicado (sem contar que deixei de prestigiar um importante evento jurídico - a Elenise entendeu e ficou tudo certo), mas acabamos conseguindo chegar tranqüilos, e arranjamos um lugar excelente, coberto, e com bom ângulo para o ataque gremista no 2.º tempo.

Depois de assistir a tantos jogos no Estádio Olímpico, e vindo direto do trabalho, sem jantar, lanchar ou descansar, não é mais tão empolgante assistir a um jogo inteiro em pé, sobretudo quando se trata da 1.ª fase de uma competição na qual o Grêmio foi a campo com reservas. Seja como for, o time de Celso Roth até que se postou bem, como já havia feito no jogo de ida, alternando chances de gol com o adversário, mas nada do tipo "como é que o cara perdeu esse gol". William Magrão foi escalado pois estava suspenso para o próximo jogo pelo Brasileirão 2008 (contra o Vasco, domingo, no Olímpico), e teve atuação muito boa. Roth promoveu a estréia de Orteman no meio-campo, e o paraguaio atuou bem nos primeiros 15min; depois perdeu bolas, deu passes errados, e quase comprometeu em algumas oportunidades. No ataque, Soares, depois de muito pedir, foi escalado e o meu pai logo observou que o cara estava sozinho contra a defesa do Inter. O time de Roth estava jogando, então, pelo 0x0.

No 2.º tempo, o Inter conseguiu sair na frente, aproveitando bobeira da zaga gremista, que pareceu ter dormido no intervalo. O jogo melhorou bastante a partir dali, vez que o Grêmio foi ao ataque e empilhou chances de gol. Só que Roth realmente não estava preocupado com a classificação, pois tão logo sofreu o 1x0, colocou em campo Andre Luis. Minutos depois, Amaral pediu para sair e o técnico o substituiu por Adilson. Ou seja, ao invés de entrar alguns titulares para dar uma melhorada no time, ingressaram os tri-reservas (ou reservas dos reservas).

Evidentemente que a coisa não iria funcionar, e o Inter naturalmente fez o 2x0. Com esse resultado, para a classificação do Grêmio só servia fazer 3x2, o que nos pareceu absolutamente fora de cogitação, sobretudo porque a entrada de Perea no time, no lugar de Makelele, parecia intempestiva - não adiantava mais, o cara pouco poderia fazer. Então largamos de mão.

Mas não há que se menosprezar o time de Roth, apesar de tudo. Afinal, 10min depois do 2x0, Perea descontou. E faltando poucos minutos para o fim do jogo, Soares fez o 2x2. Faltava, então, apenas um gol para a classificação; pena que a reação veio tarde. Mesmo assim, foi o suficiente para as duas torcidas saírem satisfeitas: uma com a classificação, e a outra com a reação expressiva dos reservas.

Agora, finalmente, o Grêmio pode se concentrar inteiramente nos jogos restantes do Brasileirão 2008.

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Léo, Amaral (Adílson) e Jean; Makelele (Perea), William Magrão, Orteman, Souza e Hélder; Rudnei (André Luís) e Soares. Técnico: Celso Roth.

INTER: Clemer; Índio, Bolívar e Marcão; Ricardo Lopes, Magrão, Guiñazu, D'Alessandro (Edinho) e Gustavo Nery; Taison (Daniel Carvalho) e Nilmar. Técnico: Tite.

Árbitro: Leonardo Gaciba (Fifa-RS), Roberto Braatz (Fifa-PR) e Alessandro Rocha (Fifa-BA). Cartões amarelos: Índio, Guiñazu, Clemer (Inter); Jean, Hélder, William Magrão (Grêmio). Gols: INTER: Nilmar, aos dois, e Índio, aos 25 minutos do segundo tempo. GRÊMIO: Perea, aos 37, e Soares, aos 43 minutos do segundo tempo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Grêmio 1x0 São Paulo (Brasileirão 2008, 20.ª rodada, 17.08.2008, 16h, Estádio Olímpico)

Atlético-MG 0x4 Grêmio - 19.ª rodada, 09.08.2008, 18h20min, sábado, Estádio Mineirão, Belo Horizonte/MG.

Desde que se adotou a fórmula de pontos corridos, o time que chegou em 1.º no final do 1.º turno acabou campeão. Então se falou, na imprensa, de que o Grêmio buscava manter essa estatística e tal. É evidente que num campeonato de pontos corridos, o que interessa é chegar em 1.º na última rodada, de modo que não deve impressionar muito esse feito de ser "campeão do primeiro turno".

De qualquer maneira, independentemente da estatística ou de que se trata do último jogo do 1.º turno, o fato é que o Grêmio enfrentaria o Atlético-MG, fora de casa, e, com a vitória, asseguraria a vantagem de 5 pontos sobre o Cruzeiro, 2.º colocado.

O time de Roth está numa fase excelente e conseguiu um resultado inesperado e expressivo. No 1.º tempo, William Magrão fez o 1x0, mas no 2.º tempo Tcheco e Reinaldo (duas vezes) completaram a goleada incrível de 4x0 sobre o Galo.

Próximo jogo será no meio da semana, contra o Inter, no Beira-Rio, em jogo válido pela Copa Sul-Americana.

ATLÉTICO-MG: Edson; Mariano, Leandro Almeida, Vinícius e Calisto; Rafael Miranda (Gedeon), Márcio Araújo (Tchô), Serginho e Petkovic; Raphael Aguiar (Eduardo) e Jael. Técnico: Marcelo Oliveira.

GRÊMIO: Victor; Léo, Pereira e Réver; Paulo Sérgio, Rafael Carioca (Amaral), Willian Magrão, Tcheco (Souza) e Anderson Pico; Perea e Marcel (Reinaldo). Técnico: Celso Roth

Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF), Ednílson Corona (Fifa SP) e César Augusto de Oliveira Braz (DF). Gols: Willian Magrão, aos 35 minutos do primeiro tempo, e Tcheco, aos 12, e Reinaldo, aos 33 e aos 38 do segundo. Cartões amarelos: Vinícius e Márcio Araújo (Atlético-MG); Réver (Grêmio).


Grêmio 1x0 São Paulo - 20.ª rodada, 17.08.2008, domingo, 16h, Estádio Olímpico.

A campanha do Grêmio no Brasileirão 2008 é boa, e os dirigentes decidiram priorizar essa competição em desfavor da Copa Sulamericana 2008; dessa forma, na estréia contra o Inter, no Beira-Rio, em 13.08.2008, o Grêmio entrou em campo com um time de reservas (apenas Leo, que voltou recuperado de lesão, pode ser considerado do time titular). Parece que a decisão foi acertada, pois o empate em 1x1 transfere a decisão para o 2.º jogo, no Estádio Olímpico, com a vantagem do 0x0. Além disso, os titulares foram poupados, depois de algum tempo com dois jogos semanais, para o importante jogo que abriria o 2.º turno contra o São Paulo.

Choveu muito no domingo, dia do jogo. Quando teve uma folga, fomos ao Estádio, e o encontramos já lotado. Havíamos estipulado que o jogo seria acompanhado de pé, lá em cima, mas isso acabou sendo a decisão de muita gente. Pelo menos acertamos o lado: o Grêmio atacaria no 1.º tempo bem na nossa frente.

Quando ingressaram em campo, os paulistas foram vaiados como de costume, mas cheguei a pensar que Rogério Ceni (experiente ex-goleiro de Seleção, artilheiro e, por vezes, entregador) ficaria motivado a tal ponto de fechar o gol e complicar as coisas para o Grêmio. O mesmo se poderia dizer em relação ao Richarlyson, embora este não tenha nem 1/10 da história que o goleiro já fez no futebol (maior goleiro-artilheiro de todos os tempos).

Essa impressão logo se dissipou quando a bola começou a rolar. Afinal, o Grêmio partiu para o ataque e enfileirou chances de gol. Perea e Marcel pareciam espertos, marcando até a saída de bola do São Paulo, e William Magrão teve boa colaboração no ataque.

O gol saiu cedo, logo aos 9 min, numa jogada quase espírita. Paulo Sérgio cruzou para a área, Perea resvalou de barriga, e Rogério Ceni não segurou. Não deu tempo de mirar a câmera. O atual time de Muricy não é dos melhores que o São Paulo já teve (não lembra nem de perto o time bi-campeão brasileiro). Mesmo assim, é perigoso, e a defesa gremista esteve muito bem posicionada, não facilitando nenhuma vez para os atacantes são-paulinos.

Nessas condições, o Grêmio continuou atacando por mais meia-hora, dando uma pequena folga no final do 1.º tempo. Numa jogada bizarra (não entendemos nada na hora), Leo e Dagoberto foram expulsos. Quem saiu perdendo, a mim parece, foram os visitantes, que se viram privados de um atacante que se diz talentoso; e a defesa gremista perdeu apenas um dos seus três zagueiros. Convém enfatizar que fazia tempo que o Grêmio não tinha alguém expulso, diferentemente da época do Mano, na qual era freqüente algum jogador (lembro de Tcheco, Pico, entre outros), ou o próprio técnico, ser expulso.

No decorrer da partida o gramado ficou empoçado com a chuva que caiu com insistência. E essa foi uma das razões, aliado ao fato de que assistiríamos ao Grêmio atacar de muito longe no 2.º tempo, pelas quais decidimos acompanhar a etapa complementar em casa. E não perdemos nada, pois o placar se manteve.

A vitória consolidou o Grêmio na liderança, 5 pontos à frente do Cruzeiro. Na próxima rodada, o time de Roth enfrenta o Flamengo, que não tem tido mais bons resultados, no Maracanã, na próxima quinta-feira.

GRÊMIO: Victor; Léo, Pereira e Réver; Paulo Sérgio, Rafael Carioca (Amaral), WilliaN Magrão, Tcheco e Anderson Pico; Perea (Souza) e Marcel (Reinaldo). Técnico: Celso Roth.

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Anderson, André Dias e Rodrigo; Zé Luis, Richarlyson, Jean, Hugo e Jorge Wagner (Éder Luis); Dagoberto e André Lima (Borges). Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro: Alicio Pena Júnior (Fifa-MG), Márcio Eustáquio S. Santiago (MG) e Cleriston Clay Barreto Rios (SE). Cartões amarelos: Tcheco (Grêmio); André Lima, Jean, André Dias e Anderson (São Paulo). Cartões vermelhos: Léo (Grêmio); Dagoberto (São Paulo). Gol: Perea (G), aos nove minutos do primeiro tempo.

CLASSIFICAÇÃO (após 20 rodadas):
Equipe P V SG %
1º Grêmio (RS) 44 13 24 73,3
2º Cruzeiro (MG) 39 12 14 65,0
3º Palmeiras (SP) 37 11 12 61,7
4º Botafogo (RJ) 34 10 11 56,7
5º São Paulo (SP) 33 9 11 55,0
6º Vitória (BA) 32 10 8 53,3
7º Flamengo (RJ) 32 9 11 53,3
8º Coritiba (PR) 32 9 9 53,3
9º Figueirense (SC) 28 7 -10 46,7
10º Sport (PE) 27 8 -4 45,0
11º Goiás (GO) 26 7 -2 43,3
12º Inter (RS) 26 7 -3 43,3
13º Atlético-MG (MG) 24 6 -13 40,0
14º Atlético (PR) 23 6 1 38,3
15º Vasco (RJ) 22 6 -5 36,7
16º Portuguesa (SP) 22 6 -14 36,7
17º Náutico (PE) 21 6 -12 35,0
18º Fluminense (RJ) 19 5 -7 31,7
19º Santos (SP) 18 4 -12 30,0
20º Ipatinga (MG) 16 4 -19 26,7

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Grêmio 1x0 Ipatinga (Brasileirão 2008, 18.ª rodada, Estádio Olímpico, 06.08.2008, 19h30min)

Depois dos recentes resultados expressivos, e com os jogos quarta e domingo, natural que o time de Roth não tenha bom rendimento em jogos considerados fáceis, então estava com o mesmo receio do goleiro Victor, expressado na véspera do jogo contra o Ipatinga, de que seria um jogo excelente para uma possível zebra. É evidente que o líder tem obrigação de, jogando em casa, vencer o lanterna. Mas, nas atuais condições, interessa menos uma boa atuação do que os três pontos.

Felizmente para todos não foi o caso de zebra. O Grêmio fez o gol da vitória logo aos 3min, com o errático Perea. O horário cedo, 19h30min, para o jogo contra o Ipatinga foi excelente, apesar de um pouco apertado para chegar ao Estádio. Estávamos na fila para entrar quando o jogo começou; a minha andou mais rápido e fiquei na boca do túnel, esperando meu pai (que não me vira e ficara esperando lá atrás) e vi o gol meio no susto. Fizemos então toda a caminhada para o outro lado das sociais (perto do portão 1) e lá acompanhamos todo o jogo.

Bem, o jogo não foi bom. O Grêmio não teve boa atuação, com algumas falhas na marcação e gols desperdiçados. E muito espaço para contra-ataques do Ipatinga. Mas em se tratando do lanterna do campeonato, não houve maiores perigos. A não ser lá pela metade do 1.º tempo, em que um atacante do time mineiro conseguiu dar uma cabeçada à queima-roupa, quase na pequena área, na hora achei que era gol certo, que a bola ia entrar, mas imediatamente a bola foi espalmada para escanteio pelo excepcional Victor, que esticou o braço com muita rapidez (repetindo feito no jogo passado, contra o Vitória).

Na zaga, Réver teve atuação fraca, ao contrário de Pereira que tirou tudo. No 2.º tempo, Roth promoveu o ingresso de Makelele, Souza e Felipe Matione, e até rolou uma pressão forte para o 2.º gol (fiz uma tomada de 5min com o Grêmio só atacando, perdendo gol, recuperando bola, atacando de novo, escanteio, perdendo gol, recuperando bola, etc).

Então foi isso, valeu apenas pela vitória e por permanecer na liderança por mais uma rodada.

GRÊMIO: Victor; Thiego, Pereira e Rever; Paulo Sérgio, Rafael Carioca (Makelele), Willian Magrão, Tcheco e Anderson Pico (Felipe); Perea (Souza) e Marcel. Técnico: Celso Roth.

IPATINGA: Fred; Leandro Salino, Patrick, Henrique e Beto; Paulinho Dias, Xaves, Léo Silva (Márcio Gabriel) e Sandro (Rodriguinho); Adeílson e Kempes (Michel). Técnico: Ricardo Drubscky

Árbitro: Wilson Souza de Mendonça (PE), Hilton Moutinho Rodrigues (Fifa-RJ) e Fernando Lopes (SC). Gol: GRÊMIO: Perea, aos 3 minutos do primeiro tempo

domingo, 3 de agosto de 2008

Grêmio 2x0 Vitória (Brasileirão 2008, 17.ª rodada, Estádio Olímpico, 03.08.2008, 16h)

FIGUEIRENSE 1x7 GRÊMIO - 14.ª rodada, 24.07.2008, quinta-feira, 20h30min, Estádio Orlando Scarpelli, Florianópolis/SC.

Não é novidade que o Grêmio tem enorme dificuldade para vencer o Figueirense, seja lá em que estádio for. Ano passado o Grêmio deixou de obter vaga para a Libertadores 2008 por ter perdido para os catarinenses, de virada, em pleno Estádio Olímpico, numa tarde em que Saja fez gol de pênalti, mas levou um frango (a resenha desse jogo está aqui). E, mais remotamente, foi exatamente a partir do jogo contra o Figueirense, em 06.07.2004, no ano em que o Grêmio caiu (resenha aqui), que meu pai e eu retomamos o hábito de ir ao Estádio Olímpico e acompanhar o maior número de jogos possível (em 2005/2006/2007 perdemos umas poucas partidas, e foi a partir de 2005 que comecei a fazer as resenhas de todos esses jogos; em 2008, por uma série de razões, estamos só agora reabilitados). E lembro que nesse jogo em 2004, pouco antes de começar a partida, os reservas do Figueirense estavam se dirigindo à casamata dos visitantes, e um cara atrás de nós, na Social, gritou bem alto para os catarinenses: "reserva do Figueirense é foda, hein!" O comentário foi engraçado, naquele momento, mas a ironia não demorou para se revelar pois o Figueirense empatou aquele jogo (2x2) e dali em diante nunca mais perdeu, ou melhor, ganhou quase todas. Trata-se, então, de um time que complica sempre.

Só que 2008 está sendo um ano diferente para o Grêmio. O Flamengo, na véspera, empatara seu jogo contra a Portuguesa (deu no 12, e foi um bom e complicado jogo), e estava ao alcance dos gremistas, desde que houvesse vitória contra o Figueirense. Pelo histórico recente, recomendava-se cautela, e um empate seria bom resultado. O que se viu, no entanto, foi a maior goleada do Grêmio na sua história no Brasileirão, e o resultado mais expressivo do Brasileirão 2008. Sete a um. No campo do adversário. Realmente, é um resultado incomum para qualquer time. Ninguém vence outro time, seja em casa ou fora, por 7x1, a não ser que se trate de um supertime, ou que o adversário seja medíocre. Nenhum dos casos foi o do jogo dessa quinta-feira. Com três gols de Perea, três de Reinaldo, e um de Marcel, o Grêmio despachou o Figueirense, que jogou limpo o tempo todo, mas pareceu sem bom condicionamento físico.

Além da vitória, dos três pontos, do excelente resultado fora-de-casa, a partida representou: (a) a liderança no Brasileirão 2008, um ponto a frente do Flamengo; (b) a consagração do segundo melhor ataque, um gol atrás do Flamengo; (c) a consagração da melhor defesa. Evidentemente que é improvável que o Grêmio permaneça na liderança até o final do campeonato, e nessas condições preferia que só fosse lider na última rodada, mas já é um baita negócio para um time que na 1.ª rodada se dizia que poderia lutar para não cair, e me parece que se conseguir se manter na ponta de cima da tabela, para disputar a Libertadores 2009, já vai ter valido a contratação do Celso Roth no lugar do Vagner Mancini (a essas alturas, ninguém mais lembra desse técnico).

A próxima partida é contra o Palmeiras, no Estádio Olímpico, na tarde de domingo.

FIGUEIRENSE: Wilson; Anderson Luis (Wellington Amorim, 20'/2º), Bruno Aguiar, Asprilla e Leandro Soares; Diogo (Ramon, 10'/2º), Magal (Leandro Carvalho, 10'/2º), Marquinho e Cleiton Xavier; Tadeu e Rafael Coelho. Técnico: PC Gusmão.

GRÊMIO: Victor; Jean, Pereira e Thiego (Makelele, 31'/2º); Paulo Sérgio (Bruno Teles, 31'/2º), Rafael Carioca, Willian Magrão, Tcheco, Anderson Pico; Perea e Marcel (Reinaldo, 17'/2º). Técnico: Celso Roth

Gols: Perea (G), aos 17min aos 28min, e Cleiton Xavier (F), aos 36min, no primeiro tempo. Marcel (G), aos 8min, Perea (G), aos 22min, e Reinaldo (G), aos 25min, aos 35min e aos 38min, no segundo. Cartões amarelos: Paulo Sérgio, Thiego (G) e Magal (F).
Arbitragem: Paulo Cesar Oliveira (Fifa-SP), Emerson Augusto de Carvalho (Fifa-SP) e Nilson de Souza Monção (SP).

GRÊMIO 1x1 PALMEIRAS - 15.ª rodada, 27.07.2008, 16h, Estádio Olímpico.

Estávamos certos de que iríamos acompanhar do Estádio Olímpico esse jogo de seis pontos (mais um), contra o Palmeiras do Luxemburgo. Mas choveu torrencialmente desde as primeiras horas do domingo, dia da partida, então resolvemos nos acomodar e assistir pela TV. Apesar disso, um público expressivo manteve a média que tem comparecido nos jogos em que o Grêmio detém o mando de campo.

E apesar da chuva e do gramado molhado, o jogo foi bom, afinal os times são competitivos, e nessas condições, a partida fica equilibrada. O Palmeiras saiu na frente, aos 17min. Melhor que o Grêmio empatou em seguida, com belo gol de Anderson Pico na entrada da área.

Bem, não dá pra ganhar todas, e o empate contra um time qualificado (mesmo que o Palmeiras não tenha contado com Valdívia e Leo Lima) pode ser considerado um bom resultado.

GRÊMIO: Victor; Willian Thiego (Reinaldo), Pereira e Réver; Felipe Mattioni, Willian Magrão, Rafael Carioca, Tcheco e Anderson Pico; Perea e Marcel.

PALMEIRAS: Marcos; Maurício, Jeci e Gladstone; Elder Granja, Sandro Silva (Wendel), Jumar, Diego Souza (Maicossuel) e Leandro; Alex Mineiro e Kléber (Denilson).
Técnico: Celso Roth Técnico: Wanderley Luxemburgo.

Arbitragem: Wagner Tardelli, Dibert Pedrosa Moises e Claudio Jose de Oliveira Soares. Gols: Alex Mineiro (P), aos 17min; Anderson Pico (G), aos 22min, ambos no 2º tempo.Cartões amarelos: Kléber, Maurício e Sandro Silva (P); Tcheco e Felipe Mattioni (G). Público pagante: 34.062. Público total: 36.688. Renda: R$ 693.499,50

CORITIBA 0x1 GRÊMIO - 16.ª rodada, 31.07.2008, 20h30min, Estádio Couto Pereira, Curitiba/PR.

Devido a um sério compromisso, não acompanhei o jogo, mas o Marcelo acionou o celular e ficamos sabendo que o Grêmio venceu mais uma partida fora-de-casa, desta feita contra o Coritiba, por 1x0, gol de Marcel (Tcheco cobrou escanteio e Marcel completou de cabeça).

Com os resultados da rodada, o time de Celso Roth se mantém na liderança e abre dois pontos na frente do 2.º colocado.

CORITIBA: Édson Bastos; Maurício, Nenê (Marcos, 25'/2°) e Felipe; Rodrigo Heffner, Rodrigo Mancha, Carlinhos Paraíba, João Henrique e Ricardinho (Guaru, 11'/2º); Keirrison e Hugo (Henrique, 25'/2º). Técnico: Dorival Júnior.

GRÊMIO: Victor; Pereira, Thiego e Réver; Paulo Sérgio, Rafael Carioca, Willian Magrão, Tcheco e Anderson Pico; Perea (André Luís, 28'/2º) e Marcel (Reinaldo, 36'/2º). Técnico: Celso Roth.

Gol: Marcel (G), aos 3 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos: Marcel, Anderson Pico, Paulo Sérgio, André Luís (G), Felipe (C). Arbitragem: Wallace Nascimento Valente (ES), Ednilson Corona (Fifa/SP) e Antonio Carlos de Oliveira (ES).


GRÊMIO 2x0 VITÓRIA - 17.ª rodada, 03.08.2008, 15h, Estádio Olímpico.

A boa campanha, a liderança no Brasileirão 2008, as contratações de jogadores qualificados (Souza ficaria à disposição, no banco, pela primeira vez), e a perspectiva de duas vitórias em dois jogos no Estádio Olímpico, tudo isso servia como indicativo de grande público para o jogo contra o Vitória. Afinal, esse seria mais um jogo de seis pontos, contra o 3.º colocado na tabela (atrás de Grêmio e Cruzeiro), treinado por ninguém menos do que Vagner Mancini. E chegar áo Estádio Olímpico meia-hora antes da bola rolar é certeza de que o lugar disponível será lá na esquerda da social, bem atrás da linha de fundo.

Não há (muitas) dúvidas de que Vagner Mancini é um bom técnico. E não é por acaso que o Vitória tem boa campanha. Trata-se de um bom time, e o jogo foi dinâmico, lá e cá. O Grêmio saiu na frente, com belo gol de William Magrão, pouco depois dos 15min.

1.º gol - William Magrão:



Depois disso, o time de Roth recuou e o Vitória assumiu as iniciativas. A defesa, com Pereira, Réver e Thiego é muito sólida (Leo, maguari por ter perdido a Seleção Olímpica e na iminência de venda para o exterior, não tem feito falta). E quando os atacantes do Vitória superaram os zagueiros gremistas, bem, aí os caras tinham que enfrentar o excepcional Victor, que ganha 15 mil reais por mês, e arrebenta debaixo das traves. Não passa nada. Mas o resultado era perigoso, e, na pressão, o Vitória poderia bem ter empatado o jogo (Victor patrocinou algumas intervenções espantosas).

No 2.º tempo o Grêmio teve uns bons ataques no início, mas desperdiçou oportunidades, notadamente com Perea. É incrível como esse cara perde gols em jogos seguidos, aí empilha gols em determinada partida, e depois continua a seca. Pelo menos nessa temporada os dirigentes fizeram a coisa certa, e o elenco qualificado dá alternativas para Roth, que nem precisa mais inventar na escalação. Assim, se os atacantes estão mal, ou precisa dar uma mexida e agregar novas características, é só tirá-los e promover a entrada de outros atacantes. Então saíram Perea e Marcel para a entrada de Souza (estreando) e Reinaldo.

O jogo já estava no final, passados 40min do 2.º tempo, achei que já estava tudo decidido, guardei as máquinas, e a bola sobrou para o Reinaldo que atolou a bola para dentro do gol. É isso aí, não dá para perder; clareou, chuta com tudo.

O Flamengo não vence há 6 jogos e despencou na tabela; com a derrota para o Grêmio, o Vitória também caiu fora do grupo dos 4 primeiros (que se classificam para a Libertadores 2009); Palmeiras, São Paulo e Cruzeiro venceram os seus jogos e estão na ponta de cima da tabela. Próximo jogo será quarta-feira, no magnífico horário das 19h30min, no Olímpico, contra o lanterna Ipatinga.

GRÊMIO: Victor, William Thiego, Pereira e Rever; Paulo Sérgio, William Magrão, Rafael Carioca, Tcheco (Makelele) e Anderson Pico; Perea (Souza) e Marcel (Reinaldo). Técnico: Celso Roth.

VITÓRIA: Viáfara, Marco Aurélio, Anderson Martins, Leonardo Silva e Marcelo Cordeiro; Wallace, Renan (Leandro Domingues), Marquinhos e Jackson (Ricardinho); Marco Antônio e Rodrigão (Adriano). Técnico: Vágner Mancini
Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes Filho (Fifa-SP), Emerson Augusto de Carvalho (Fifa-SP) e Edynei Guerreiro Mascarenhas (RJ). Público: 37.784 pagantes. Cartões amarelos: Paulo Sérgio, Rafael Carioca (Grêmio); Leonardo Silva, Anderson Martins (Vitória)
Gols: William Magrão, aos 17 minutos do primeiro tempo, e Reinaldo, aos 43 minutos do segundo tempo.

CLASSIFICAÇÃO (após 17 rodadas):

Equipe P V SG %

1º Grêmio (RS) 35 10 18 68,6
2º Cruzeiro (MG) 33 10 12 64,7
3º Palmeiras (SP) 31 9 9 60,8
4º São Paulo (SP) 30 8 13 58,8
5º Vitória (BA) 29 9 7 56,9
6º Flamengo (RJ) 28 8 11 54,9
7º Coritiba (PR) 26 7 5 51,0
8º Botafogo (RJ) 25 7 8 49,0
9º Inter (RS) 25 7 3 49,0
10º Sport (PE) 24 7 -2 47,1
11º Figueirense (SC) 24 6 -10 47,1
12º Atlético-MG (MG) 21 5 -9 41,2
13º Goiás (GO) 20 5 -5 39,2
14º Vasco (RJ) 19 5 -2 37,3
15º Portuguesa (SP) 19 5 -12 37,3
16º Náutico (PE) 18 5 -8 35,3
17º Atlético (PR) 17 4 -5 33,3
18º Santos (SP) 17 4 -10 33,3
19º Fluminense (RJ) 13 3 -9 25,5
20º Ipatinga (MG) 13 3 -14 25,5

terça-feira, 29 de julho de 2008

25 anos - Grêmio campeão da Copa Libertadores de 1983

Em 1983 eu já era gremista, e desde que me conheço o Grêmio é campeão da Libertadores e do Mundial. Lembro de ir com o meu pai ao Estádio Olímpico, dos principais jogadores (Mazarópi, Renato, Tarciso, De Leon, Baideck, Paulo Roberto, China, etc), da chegada do time campeão do mundo no caminhão dos bombeiros (vimos os jogadores passarem com a taça na João Pessoa, quase esquina com a Venâncio), e tudo mais. E faz uns 15 anos que queria, por tudo, ver a íntegra do jogo final da Libertadores e do Mundial de 83; há pelo menos uns 10 anos firmei a convicção de que isso renderia um vídeo; e desde que vi a caixa de DVD´s do Chicago Bulls, dinastia NBA, com um DVD dedicado para um compacto do campeonato, de um lado, e de outro a íntegra de um dos jogos dos play-offs, que me pergunto por que não é lançado um DVD com a íntegra da final da Libertadores e do Mundial de 1983. Isso venderia por si só, e minha convicção ficou sedimentada depois do DVD sobre a Batalha nos Aflitos.

Não houve anúncio algum, e dessa forma foi por pura sorte que no domingo, pouco depois do meio-dia, mudei de canal e vi que no 36 tava passando a final da Libertadores de 1983, pois no dia seguinte, segunda-feira, 28.07.2008, completaria 25 anos desse título gremista. Por sorte, também, estava a mão com o gravador, e perdi apenas os primeiros 5min30s do jogo. Antes de sair de casa, vi o 1.º gol, de Caio, aos 9min. Deixei gravando e vi tudo à noite. E vi que o Grêmio atacou como nunca até fazer o gol, e depois até os 15min, geralmente pelo lado direito (embora o gol gremista tenha partido de um cruzamento pelo lado esquerdo). O Peñarol, como se sabe, era o atual campeão mundial e lutava pelo bi da Libertadores. Então os uruguaios não demoraram para equilibrar o jogo, e a partir dos 30min exercer domínio. E no final do 1.º tempo, o time de Valdir Espinosa estava bem recuado, errando passes, e sofrendo a pressão do Peñarol (é incrível como isso, hoje em dia, não é surpresa). Apesar de tudo, nenhuma conclusão chegou com perigo ao gol do Mazarópi. Mas bem sabemos que isso não quer dizer nada; o adversário pressiona e uma hora vai fazer o gol.

E o 2.º tempo começou do mesmo jeito que terminou o 1.º, i. é, com a bola no pé dos uruguaios. O jogo, para ser franco, foi muito ruim, mas muito disputado. E na época não tinha essa de fair play. Os uruguaios batiam afu: o Tita arrancou pela direita, tentando puxar um contra-ataque, e um uruguaio deu uma rasteira chutando as pernas do Tita por trás. Falta é evidente que foi marcada, pois esse lance é falta hoje e era falta em 1983. Mas nada de cartão amarelo. Lance normal de jogo. Então dá-lhe cotovelada pelo alto - e por baixo uma bica na canela.

Na metade do 2.º tempo, o Peñarol conseguiu ficar um tempão no ataque: cobrança de lateral, escanteio, chutes, rebotes, e a bola não saia do campo do Grêmio. Falta pelo lado esquerdo, Venâncio Ramos cobrou com delicadeza impressionante, alçando a bola na área como se fosse com a mão, e Morena, artilheiro uruguaio, fez o gol de empate. Minutos depois Mazarópi salvou e, no rebote, De León tirou em cima da linha. O comentarista, então, comentou: "O Renato não está mostrando bom futebol. Ele é um jogador essencial, e está na hora de ele aparecer para dar a vitória ao Grêmio". Uma vez que no primeiro jogo, em Montevidéu, o placar foi 1x1, se o jogo no Olímpico terminasse 1x1, haveria um terceiro jogo, em Buenos Aires, em 02.08.1983.

Mesmo antes do gol de empate, César já havia entrado em campo no lugar de Caio (que entrou em campo meio no sacrifício, pois não havia se recuperado totalmente de lesão muscular). O seu ingresso representava maior qualidade no toque de bola. Então, aos 32min, Renato recebeu a bola quase na marca de escanteio do lado direito de ataque gremista (na frente das gerais/camarotes). Cercado por uns três defensores uruguaios, ele deu umas embaixadas e deu um chutão com toda a força em direção à área. A jogada toda foi muito rápida, pois tão logo a bola caiu, encontrou a cabeça de César que empurrou com tudo para o gol. O gol da vitória e do título.

A partir daí não teve mais jogo. Chutão, empurra-empurra, expulsão do Renato, o Peñarol, na verdade, não tinha mais forças para reagir. Os dois times, o Grêmio de Valdir Espinosa e da gurizada gremista (apenas Mazarópi e Tarciso tinham mais de 30 anos - respectivamente, 30 e 32), e o Peñarol, atual campeão mundial, eram times muito bons e equivalentes. E nessas condições, vence o time que faz mais gols (!).

Do time gremista, vi que Paulo Roberto era um lateral muito bom no apoio e raçudo na defesa. O cara tinha 20 anos, fazia muito bem os cruzamentos pelo lado direito, e na marcação era implacável. De León já era consagrado campeão e titular da Seleção Uruguaia. O zagueiro sabia bem como se ganhava uma Libertadores, e deixou muito claro isso durante o jogo, conduzindo a bola com tranqüilidade, divindindo duro com seus compatriotas, e fazendo pressão na arbitragem. Baideck, muito elogiado pela reportagem durante a transmissão do jogo, tinha pouco mais de 20 anos e tirou todas. Casemiro parecia nervoso no início, e talvez não por acaso o titular no mundial tenha sido o Paulo César Magalhães. China era o volante propriamente dito, marcador e repassador da bola, uma espécie de Eduardo Costa. Osvaldo apareceu muito pouco no jogo. Mas era muito bom de bola. O camisa 10 era o Tita, que centralizava as jogadas e atuava como uma espécie de Tcheco melhorado. Dos 10 aos 15min do 2.º tempo, o Grêmio jogou com 10 em campo porque Tita estava sendo socorrido após um choque em jogada pelo alto na área do Peñarol. Emocionante que a torcida gritava pela volta do craque, e no placar eletrônico do Estádio Olímpico apareceram frases "Volta logo Tita! Força Tita! Estamos com você Tita!". E o cara voltou a campo, e nos últimos minutos do jogo ele tinha sangue escorrendo pelo rosto (na época, além de não se falar em fair play, não havia a recomendação para retirar o cara sangrando de campo; ficava sangrando durante o jogo até o final). E é bem conhecida a história que envolveu a comemoração incomum do Tita após o gol de César. O ataque gremista teve de lugar contra a defesa dos uruguaios, então todos tiveram dificuldades. Mas os caras eram bons, e aproveitaram os descuidos para fazer os dois gols da vitória. Renato, realmente, não fez boa partida. O cara, de fato, era um autêntico ponta-direita, de modo que todas as suas jogadas eram iguais: bola pela direita, ele corria com ela até a linha de fundo e avançava em direção à área. Em regra os uruguaios faziam falta. Essa jogada, afinal, restou imortalizada no primeiro gol do jogo contra o Hamburgo pela final do Mundial 1983. E, nesse jogo no Estádio Olímpico, contra o Peñarol, se Renato não teve uma boa noite, pelo menos fez o que se espera de um craque: uma jogada genial, que decide o jogo. O cara podia ter partido para o drible e perdido a bola; podia ter cavado um escanteio, ou uma falta. Mas ele resolveu levantar aquela bola na área, pois alguém se colocaria lá para tentar o gol. E a bola encontrou a cabeça do César.

Parece que vai rolar um DVD comemorativo dos 25 anos dessa Libertadores, com depoimentos dos jogadores, dirigentes, técnico, jornalistas. Entendo que esses depoimentos são dispensáveis, pois ficam datados. Melhor mesmo é a íntegra do jogo. Por sorte, consegui gravar a tempo (apesar de ter faltado 5 minutos e meio). Agora aguardo dezembro que seja transmitida a final do Mundial de 1983, de preferência com anúncio prévio.

GRÊMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso. Técnico: Valdir Espinosa.

PEÑAROL: Fernandes; Montelongo, Olivera, Gutiérrez e Diogo; Bossio, Saralegui e Salazar; Ramos, Morena e Silva (Peirano). Técnico: Hugo Bagnulo

Copa Libertadores da América - final - 28/07/1983.
Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre (RS).
Arbitragem: Édson Perez, Carlos Montalván e Henrique Labo (trio do Peru).
Gols: Caio (G), aos 10 minutos do primeiro tempo, Morena (P) aos 25 minutos do segundo tempo e César (G) aos 32 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Paulo Roberto, Tita e Renato (G) Oliveira, Saralegui e Morena (P).
Cartões vermelhos: Renato (G) e Ramos (P) aos 42' do 2°T.

Meu pai guardou por muitos anos os jornais do dia seguinte ao título, bem como as edições da revista Placar, mas essas relíquias foram perdidas. Então me permito transcrever a avaliação dos jogadores, que constou dessa notícia:

Ficha do jogo

GRÊMIO

Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato; Caio (César) e Tarciso

PEÑAROL

Fernandez; Montelongo, Olivera, Gutierrez e Diogo, Bossio, Saralegui, Salazar, Ramos e Morena, Silva (Peirano)

Arbitragem: Edson Perez, auxiliado por Carlos Montalvan e Henrique Labo, do Peru.

Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre

Gols: Caio (G), aos 10 minutos do primeiro tempo, Morena (P), aos 25 minutos do segundo tempo e César, aos 32 minutos do segundo tempo

Avaliação dos jogadores

GRÊMIO

Mazaropi — Muito seguro nas intervenções, especialmente nos momentos de maior pressão do Penharol, quando saiu muito bem nos pés de Peirano. Nota 9.

Paulo Roberto — Muito mais tranqüilo do que no jogo de Montevidéu, só teve alguns problemas no segundo tempo com Venâncio Ramos, mas esteve seguro, inclusive no apoio. Nota 8.

Baidek — Um pouco nervoso apenas no início do jogo. Depois, marcou Morena com boa antecipação e cometendo as faltas necessárias. Nota 9.

De León — Fez tudo em campo: marcou bem, não falhou nunca, eficiente nas bolas altas e rasteiras. Nota 10.

Casemiro — Velocidade e atenção para evitar qualquer lance perigoso na defesa do Grêmio. Deu um lançamento preciso para Osvaldo cruzar no primeiro gol. Nota 9.

China — Perfeito sob todos os pontos de vista, tanto na marcação direta como na cobertura. Soube o momento certo do chutão para a frente e do toque para o companheiro. Nota 9.

Osvaldo — Combateu como nunca no meio campo, sem evitar o choque, chutando para a frente quando necessário e fazendo boas triangulações no setor. Cruzou a bola no primeiro gol. Nota 8.

Tita — Finalmente teve a grande atuação na Libertadores que estava devendo à torcida do Grêmio. Prendeu a bola nos momentos de maior pressão do Peñarol, laçou e tabelou. Nota 9.

Renato — Muito discreto no primeiro tempo, submetendo-se novamente à marcação de Diogo. Mas decidiu o jogo e o título, cruzando uma bola incrível para César marcar. Nota 8.

Caio — Apesar do físico nada privilegiado pela natureza, brigou com os zagueiros do Penharol, encarou a marcação e fez o gol que abriu o caminho para o título. Nota 8.

Tarciso — Desta vez não pode ser acusado de evitar o choque, pois foi o que mais fez em campo, preocupando os zagueiros com sua velocidade e recuando para marcar. Nota 8.

César — Jogou 27 minutos e se igualou a Caio — na coragem e na marcação do gol. Só que o seu valeu o título inédito para o Grêmio. Nota 9.

PEÑAROL

Fernandes — Perfeito nas saídas de gol e nas bolas altas. Sem culpa nos gols. Nota 8.

Montelongo — Passou trabalho com Tarciso no primeiro tempo. Pouco importunado no segundo. Nota 7.

Olivera — O líder do time. Por cima só dá ele, inclusive na área adversária. Nota 8.

Gutierrez — O mais fraco da defesa. Indeciso em vários lances. Nota 5

Diogo — Não tomou conhecimento de Renato e no primeiro tempo procurou o apoio. Nota 8

Bossio — Bem no bloqueio e na cobertura aos laterais. Nota 7

Saralegui — Bom jogador, mas apela muito para a violência. Nota 7

Salazar — O articulador das jogadas do Peñarol. Cresceu a partir da metade do segundo tempo e com ele o time. Nota 8

Sulva — Não levou vantagem sobre Casemiro. Acabou substituído por Peirano que pouco acrescentou. Para Silva nota 5

Morena — Preocupação constante para a zaga do Grêmio, na única conclusão marcou o gol uruguaio. Até por isso nota 7

Venâncio Ramos — Habilidoso, driblador, o melhor do Peñarol. Nota 9

Arbitragem

O Peruano Edison Perez soube controlar com energia um jogo excessivamente nervoso, como são todas as decisões, não permitindo que os uruguaios, liderados por Olivera, interferissem no seu trabalho. Acertou nas expulsões de Renato e Venâncio Ramos, no final da partida. Tecnicamente teve falhas mínimas. Foi bem assessorado pelos bandeiras Henrique Labo e Carlos Montalvam. Nota 9

sábado, 19 de julho de 2008

Grêmio 1x0 Cruzeiro (Brasileirão 2008, 13.ª rodada, Estádio Olímpico, 19.07.2008, 18h20min)

GRÊMIO 1x1 INTER - 29.06.2008, 8.ª rodada, Estádio Olímpico.

Uma das noções mais comuns em relação ao Gre-nal é que, conforme o resultado, (a) arruma a casa do vencedor (isto é, se o time está em baixa, a vitória no Gre-nal representa o início da ascensão na tabela), e/ou (b) determina o início do declínio do derrotado. Quando o Inter contratou Tite para o lugar de Abel, firmei convicção de que o novo técnico teria ampla vantagem sobre Celso Roth e que venceria todos os próximos três Gre-nais (um pelo Brasileirão, no Olímpico, e dois pela Copa Sul-americana); eventualmente poderia haver um empate em algum dos jogos no Olímpico.

Pois bem, os dois treinadores promoveram alterações na formação das equipes. E como previra, Tite se deu melhor (promoveu a estréia de um atacante tido como promissor - Taison -, e isso se revelou fundamental no decorrer da partida). Roth, por sua vez, deixou Rafael Carioca no banco, em favor de um meio-campo com William Magrão e Eduardo Costa. Além disso, durante a semana foi noticiada uma instrução de Roth em um treino, indiciando que o seu time atacaria pelo "lado lento" do Inter (i. é, o lado esquerdo). É óbvio que o vazamento dessa instrução precaveu o esperto e mobilizador Tite.

Uma dieta líquida complicou a nossa tarefa de acompanhar o jogo no Estádio Olímpico. Acompanhamos pela TV o Inter tomando a iniciativa do jogo e dominando as ações, o que é incomum em se tratando de um time visitante. E para complicar de vez, o Inter saiu na frente com um gol de Índio (o gol foi ilegal, pois Nilmar participou do lance e estava impedido).

Roth viu-se obrigado a mexer no time: colocou Rafael Carioca e Rodrigo Mendes (sacando um dos zagueiros, que já tinha cartão amarelo - Leo). O Grêmio melhorou, mas não o suficiente para ameaçar a vitória do time de Tite. Mas aí aconteceu que Renan entregou o resultado ao atingir Rodrigo Mendes, com o pé, numa saída de bola pelo alto. Roger, com a tradicional paradinha, fez o gol de empate.

GRÊMIO Victor; Léo (Rodrigo Mendes, 19'/2º), Pereira e Réver; Paulo Sérgio, Eduardo Costa, Willian Magrão (Rafael Carioca, 19'/2º), Roger e Helder; Perea e Marcel (Soares, 43'/2º). Técnico: Celso Roth.

INTER: Renan (Clemer, 36'/2º); Ricardo Lopes, Índio, Sorondo e Marcão; Edinho, Guiñazu, Magrão, Taison (Ramon, 14'/2º) e Alex; Nilmar. Técnico: Tite.

Gols: Índio (I), aos 15min do primeiro tempo. Roger (G), aos 37min. Cartões amarelos: Eduardo Costa, Marcel e Léo (G); Sorondo, Ricardo Lopes, Magrão e Índio (I). Expulsão: Renan (I). Arbitragem: Alício Pena Júnior (MG), auxiliado por Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa-BA) e Marcelo Barison (RS). Renda: R$ 960.567,50. Público: 42.888 torcedores.

BOTAFOGO 2x0 GRÊMIO - 9.ª rodada, Estádio Engenhão, Rio de Janeiro/RJ.

O Botafogo se encontra em situação difícil no campeonato, tendo perdido jogos recentes, e com o seu técnico a perigo de demissão. Só que jogos como esses acabam sendo complicados, sobretudo quando algumas opções são feitas equivocadamente.

Durante a semana se falou apenas amenidades a respeito dos treinos do Grêmio, além da questão envolvendo a comemoração de Roger nos seus gols, tidos como ofensivos pelo procurador que atua na justiça desportiva, o que poderia resultar em suspensão do melhor jogador do time. Então foi com a maior surpresa de todas que na véspera do fim-de-semana em que o Grêmio viajaria para o RJ se soube da partida de Roger para o Catar, em razão de uma proposta milionária (US$ 5 milhões por dois anos). Ou seja, o treinamento da semana toda foi por água abaixo. Roth escalou Rodrigo Mendes no seu lugar. Mas o problema não foi esse, assim como não foram as ausências de Pereira, Leo e Eduardo Costa. O problema foi alterar o esquema para 3-6-1, o que se revelou determinante para uma derrota merecida.

Com efeito, não tenho dúvidas de que a vitória do Botafogo por 2x0 foi um sinal de que, por vezes, e talvez não raro, há justiça no futebol. Foi a pior partida do Grêmio, afinal, os caras não conseguiam acertar três passes seguidos. O time atual do Botafogo tem deficiências que permitiriam uma vitória tranqüila do time de Roth (o estádio vazio, com pouco mais de mil assistentes, é prova de que nem a própria torcida do clube carioca acreditava em resultado positivo). Mas com um time mal escalado e mal organizado em campo, não havia como o Grêmio esperar qualquer coisa diferente do que uma derrota incontestável (alguns momentos foram verdadeiramente assustadores, como a "bicicleta" que Maílson deu, no 2.º tempo, dentro da grande área de Victor!).

BOTAFOGO: Castillo; Renato Silva, Leandro Guerreiro e Édson; Alessandro, Túlio, Diguinho, Lucio Flavio (Thiaguinho) e Zé Carlos; Jorge Henrique e Wellington Paulista. Técnico: Geninho.

GRÊMIO: Victor; Jean (Maylson), Thiego e Réver; Paulo Sérgio, Willian Magrão, Rafael Carioca, Rudnei (Marcel) e Rodrigo Mendes (Makelele) e Helder; Perea. Técnico: Celso Roth.

Árbitro: Cláudio Mercante Junior (PE), Jossemmar Moutinho (PE) e Fabiano Ramires (ES). Cartões amarelos: Túlio, Wellington Paulista (Botafogo); Jean, Paulo Sérgio, Réver (Grêmio). Gols: Túlio, aos 16 minutos do primeiro tempo, e Zé Carlos, aos 8 minutos do segundo tempo.

SANTOS 1x 1 GRÊMIO - 10.ª rodada, 09.07.2008, 21h45min, Vila Belmiro, Santos/SP.

O Santos se encontra na zona do rebaixamento, mas os jogos na Vila Belmiro são sempre complicados para o Grêmio. Além disso, o desempenho fraco do time de Roth contra o Botafogo, na rodada anterior, indicava que um empate seria ótimo resultado. Nessas condições, foi realmente lamentável ter deixado de vencer o Santos de Cuca após ter saído na frente com gol de Rodrigo Mendes, na metade do 1.º tempo. Eventualmente os santistas começaram a atacar e a perder várias oportunidades de gol, até que empataram bem no final do 1.º tempo.

Mediante remédio judicial, Tcheco foi liberado para estrear nessa partida contra a Portuguesa. Além disso, na véspera do jogo, foi confirmada a contratação do uruguaio Orteman, meio-campista que já jogou contra o Grêmio em 2002, quando atuava pelo Olímpia.

SANTOS: Fábio Costa; Apodi (Wesley, 301/2ºt), Fabão, Marcelo e Michael; Adriano, Rodrigo Souto e Kléber; Tiago Luís (Molina,15'/2ºt), Kleber Pereira (Lima, int) e Maikon. Técnico: Cuca.

GRÊMIO: Victor; Réver (Jean, 17'/2ºt), Léo e Thiego; Paulo Sérgio, Willian Magrão, Rafael Carioca, Rodrigo Mendes (André Luís, 17'/2ºt) e Helder; Perea (Rudnei, 34'/2ºt) e Marcel. Técnico: Celso Roth.

Gols: Rodrigo Mendes (G), aos 24, e Michael (S), aos 45 minutos do primeiro tempo.
Cartões amarelos: Marcel, Perea (G), Rodrigo Souto (S). Arbitragem: Gutemberg de Paula Fonseca (RJ), Hilton Moutinho Rodrigues (Fifa-RJ) e Marco Aurélio dos Santos Pessanha (RJ).

GRÊMIO 2x1 PORTUGUESA - 11.ª rodada, 13.07.2008, 18h10min, Estádio Olímpico.

Resolvi que se um de nós não pudesse ir ao Estádio (p. ex., praia), não iria sozinho ou com alguém que estivesse disponível (mas estou repensando essa idéia, afinal são mensalidades sendo pagas). Então não acompanhei o jogo nem pela TV; só pelo radinho mesmo.

Contra a Portuguesa, o Grêmio enfrentaria jogadores conhecidos, especialmente Patrício e Gavilán. E o time paulista iniciou a partida jogando bem, ao contrário do Grêmio, e eventualmente saiu na frente aos 30min.

No jogo anterior, contra o Santos, Marcel teve uma chance clara de fazer o gol da vitória, mas chutou a bola para muito longe. Alguém comentou, então, que o negócio do atacante é na bola aérea. Pois o cara teve a oportunidade de comprovar isso contra a Portuguesa, ao marcar o gol de empate, de cabeça, aparando cruzamento de Tcheco, que reestreou no Grêmio, amparado por medida judicial liminar. E, no 2.º tempo, Marcel fez um golaço, selando a vitória gremista em casa.

GRÊMIO: Victor, Léo (Makelele), Pereira e Réver; Paulo Sérgio, Rafael Carioca, Tcheco, Rodrigo Mendes (Soares) e Hélder; André Luís (Anderson Pico) e Marcel. Técnico: Celso Roth.

PORTUGUESA: André Luis, Patrício, Bruno Rodrigo, Halisson e Bruno Recife; Eric, Carlos Alberto, Gavilán (Claudecir), Preto (Vaguinho) e Edno; Rogério (Washington).
Técnico: Vagner Benazzi.

Gols: Rogério, aos 30, e Marcel, aos 36 minutos do primeiro tempo e aos 30 do segundo. Cartões amarelos: Pereira (Grêmio); Gavilán e Carlos Alberto (Portuguesa).
Cartão vermelho: Halisson (Portuguesa) Estádio: Olímpico, em Porto Alegre (RS).
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (Fifa RJ). Milton Otaviano dos Santos (Fifa RN) e Carlos Berkenbrock (SC).

SPORT 2x2 GRÊMIO - 12.ª rodada, 16.07.2008, Ilha do Retiro, Recife/CE.

Não é fácil para ninguém conseguir um bom resultado na Ilha do Retiro contra o Sport. Então, se houver uma chance rara de vitória, num campeonato de tiro longo como é o Brasileirão, não convém deixar escapar o resultado. Por essa razão, o empate em 2x2 pela 12.ª rodada pode ser lamentado, mas pelas circunstâncias do jogo, pode ser comemorado. Afinal, o Grêmio saiu na frente (gol de William Magrão, logo no início da partida), cedeu o empate alguns minutos depois, mas fez o 2x1, com Rodrigo Mendes, logo em seguida. O Sport teve chances de gol, mas o Grêmio também teve oportunidades para liquidar a vitória. Não o fez, e aí o Sport cresceu no 2.º tempo, e eventualmente marcou o gol do empate. Os minutos finais foram dramáticos, e os pernambucanos quase conseguiram a virada.

Com os empates fora-de-casa, o Grêmio se mantém na ponta de cima da tabela, junto com Flamengo e Cruzeiro.

SPORT: Magrão, Gabriel (Luciano Henrique), Igor e Durval; Diogo, Daniel Paulista, Sandro Goiano e Fumagalli, Dutra; Carlinhos Bala e Leandro Machado (Enilton) (Joélson). Técnico: Nelsinho Baptista.

GRÊMIO: Victor, Léo, Pereira e Rever (Thiego); Paulo Sérgio, Willian Magrão, Rafael Carioca, Tcheco e Helder (Anderson Pico); André Luís (Rodrigo Mendes) e Marcel.
Técnico: Celso Roth.

Gols: Willian Magrão, aos sete, Durval, aos 15 minutos, Rodrigo Mendes, aos 18, Durval, aos 37 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos: Gabriel, Durval, Dutra (Sport); Helder, Marcel, Victor, Rodrigo Mendes, Thiego (Grêmio). Árbitro: Paulo César de Oliveira (Fifa/SP), Milton Otaviano dos Santos/RN (FIFA) e Marcelo Carvalho Van Gasse (SP).


GRÊMIO 1x0 CRUZEIRO - 13.ª rodada.

Victor vem sendo o destaque da campanha gremista até agora, juntamente com a defesa, é uma das menos vazadas. Por outro lado, questiona-se a efetividade de Perea, em relação ao qual se diz que lhe falta vontade de fazer o gol (nas jogadas decisivas, ele preferiria passar para outro companheiro, do que ele próprio finalizar a gol). As contratações de Souza e Orteman foram confirmadas; Rodrigo Mendes, aparentemente, tem proposta da Lazio (é irônico que após um ano parado no Grêmio, recuperando-se de lesão, o cara faz uns 2 ou 3 jogos e já tem proposta do exterior).

Pode-se resumir a importância do jogo contra o Cruzeiro, pela 13.ª rodada dessa forma: em jogo de 6 pontos, meio a zero é goleada. Afinal, as duas equipes estão empatadas na vice-liderança do Brasileirão 2008, e quem vencesse ficaria no encalço do Flamengo, líder isolado.

A previsão de chuva não se confirmou (apenas fez vento e frio), e chegamos ao Estádio com antecedência de meia-hora e esperamos as equipes se posicionarem em campo para eleger o lado em que ficaríamos. Acabamos na extrema esquerda das sociais para acompanhar o ataque gremista.

Fizemos bem, pois pouco depois dos 15min, após cobrança de lateral de Pico, a bola sobrou para Rafael Carioca que lançou do outro lado para Paulo Sérgio, que já vinha tendo boa participação no ataque, chutar para a meta do Cruzeiro; a bola passou no meio das pernas do goleiro Fábio, e foi o gol da vitória.

Gol do Paulo Sérgio:


O jogo foi muito bom. No primeiro tempo, Paulo Sérgio teve bons lances no ataque, Perea mostrou disposição incomum na marcação da saída de bola dos mineiros, Victor fez as defesas habituais, nos casos em que a defesa não conseguia repelir os ataques do Cruzeiro. Tcheco deu passes errados e armou contra-ataques do adversário.

O time de Adílson Batista (aplaudido quando teve seu nome anunciado no sistema de alto-falantes) teve 4 desfalques, mas jogou bem. O problema, como antecipou um repórter mineiro para uma grande rádio gaúcha, é no ataque: o artilheiro Guilherme não tem um bom companheiro. E isso se revelou verdadeiro. Os atacantes mineiros não conseguiram boas finalizações; as que venceram o bloqueio da defesa (notadamente pelo lado esquerdo de Réver, e em qualquer lugar onde estivesse o Paulo Sérgio), eram contidas por Victor.

No 2.º tempo, o Cruzeiro voltou muito melhor. Os gremistas, a certa altura, pareciam cansados. Mas ainda assim o Grêmio teve oportunidades incríveis para sedimentar a vitória, a maioria das quais foi rejeitada pelo goleiro Fábio.

O resultado foi excepcional, consolidando o time de Roth na vice-liderança do Brasileirão 2008.

GRÊMIO: Victor; Léo (Thiego), Pereira e Réver; Paulo Sérgio, Rafael Carioca, Willian Magrão, Tcheco e Anderson Pico; André Luis (Makelele) e Perea (Reinaldo). Técnico: Celso Roth.

CRUZEIRO: Fábio; Jonathan, Thiago Heleno e Espinoza; Jadilson, Charles, Henrique, Marquinhos Paraná e Gerson Magrão (Jajá); Jonatas e Guilherme. Técnico: Adilson Batista.

Gol: Paulo Sérgio, aos 17 minutos do primeiro tempo. Cartões amarelos: William Magrão e Réver (G); Jonathan (C). Arbitragem: Sergio da Silva Carvalho (DF), Nilson Alves Carrijo (DF) e Renato Miguel Vieira (DF). Público total: 31.270. Renda: R$ 523.858,30.

CLASSIFICAÇÃO (sem contar os jogos de domingo, 20.07.2008, que completam a 13.ª rodada):

Equipe P V SG %
1º Flamengo (RJ) 26 8 14 72,2
2º Grêmio (RS) 25 7 9 64,1
3º Cruzeiro (MG) 24 7 8 61,5
4º Palmeiras (SP) 21 6 5 58,3
5º Vitória (BA) 20 6 6 55,6
6º São Paulo (SP) 20 5 9 55,6
7º Figueirense (SC) 19 5 -5 48,7
8º Inter (RS) 18 5 2 50,0
9º Náutico (PE) 17 5 -2 47,2
10º Coritiba (PR) 17 4 3 47,2
11º Vasco (RJ) 15 4 2 41,7
12º Botafogo (RJ) 15 4 0 41,7
13º Sport (PE) 15 4 -4 41,7
14º Portuguesa (SP) 15 4 -8 38,5
15º Atlético (PR) 13 3 -2 36,1
16º Fluminense (RJ) 12 3 -4 30,8
17º Atlético-MG (MG) 12 2 -3 33,3
18º Goiás (GO) 11 2 -8 30,6
19º Ipatinga (MG) 10 2 -11 25,6
20º Santos (SP) 8 1 -11 22,2

Grêmio 3x0 Sport (Série B, 31.ª rodada, Arena do Grêmio, 20.09.2022, 19:00)

 Com Renato de volta à casamata gremista, e após a vitória contra o Vasco, a expectativa era de como o Grêmio se portaria nos jogos fora de ...